
Sou desses que não se empolgam com eleições, afinal, como pouco troquei de emprego e na maioria das vezes já saía de uma empresa para outra, com salário e ocupação garantidos, não me apraz fazer penitência em longas filas eleitorais, em pleno domingo, sol causticante, para arrumar emprego para Wellington Fagundes, Sérgio Ricardo, Pop, Walter Rabello, Ralf Leite, Carlos Bezerra, Chico dois mil, entre tantos.
Sobre as próximas eleições, me declaro farto! Chega !!! Mas não é um “chega” tipo “pare!, não agüento mais!”. É que, realmente, ando muitíssimo contente e satisfeito e já decidi em quem votar. Quero até dizer que não vou mais clicar o RDNews (e também outros veículos) para ler coberturas sobre peculato, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos, superfaturamento, enriquecimento ilícito. Basta !
No início, ainda com relativo entusiasmo, a primeira ofensiva e abordagem contra este desarmado eleitor de um voto só foram feitas pelo pré-candidato tucano, Wilson Santos. Falo daquela empolada operação Pacenas, da Polícia Federal, que espantou os diabos da Tasmânia do PAC e ajuntou os comilões para os despojados aposentos da Polinter. Decidi, ali, que aquele candidato não me faria carregar tal andor.
Depois ruminaram aquelas versões de que Mauro Mendes, outro candidato, é o que é hoje por conta do fenômeno metamórfico de resíduos de incentivos fiscais considerados e apontados pelos seus desafetos como criminosos. Tem aquela compra dos honoráveis vereadores por algo parecido com R$ 400 mil na campanha sucessória municipal passada, lembram-se? Pelo sim, pelo não, cidadão consciente e exigente, resolvi descartá-lo também.
Ocorre que a erupção de denúncias ocasionadas pelo sobrepreço, tráfico de influência na aquisição de máquinas e equipamentos por parte do governo (e por conseqüência, seu candidato oficial- ou pré-oficial, o Silval Barbosa) me apavoraram igualmente. O Paiaguás, então imaculado ou virginal na opinião pública, resolveu fazer par com Wilson Santos na dança da pilhagem contra os cofres públicos, ou com as irregularidades apontadas de Mendes. Mas isso é natural, pois uma campanha eleitoral sem escândalos no horário eleitoral gratuito não tem a menor graça. Claro que, contra o Paiaguás – ou PR, ou PMDB -- as denúncias partiram do empresário Pérsio Briante, bípede bicudo e enfeitado desde os tempos de impúbere. De qualquer sorte, nesta semana, o noticiário, tal como queimadas, deu clima mais ardente ao cenário eleitoral, onde graúdos da Sema e gente com ramagens nos halls paláticos acabaram vendo o sol quadrado. Até o ex-governador Blairo Maggi, que deixara o governo com quase 90% de aprovação, ao ver, atarantado, nos sites e TVs a perfídia consumada por assessores e secretários do peito teria exclamado: ‘Até vocês, Brutos?” - com a letra O mesmo!
Ora, com as principais três candidaturas sob palmos na vala comum, não me restam alternativas e segurança para digitar, em outubro, o voto na pureza ou esperança. Por outro lado, ufa, me sobra o conforto de optar, entre os quais, pelo que me parecer menos pior. Em um sistema em que o governante tem como conceito se arrumar e arrumar os seus em primeiro, antes de pensar em cumprir com a sua obrigação, e quase nunca cumpre, a única certeza que o eleitor pode ter é a de que, no final das contas, mesmo resignado, ainda pode se vangloriar de ter o direito [sagrado] de pode votar no que rouba, mas faz, seguindo a memorável doutrina malufista. Eu não vou, entretanto, pensar assim: votarei, inflexível, decidido e consciente, naquele que mostrar menor apetite ao dinheiro alheiro.
Jorge Maciel é jornalista em Cuiabá.
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