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Gabriel Novis Neves
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Quarta, 04 de setembro de 2013, 21h45

País surreal

Mais uma vez a sociedade civil acordou achincalhada por seus políticos que, reiteradamente, insistem em envergonhar a classe que representam.

Através de voto secreto, na calada da noite, a Câmara dos Deputados acaba de impedir a cassação de um deputado condenado pelo Supremo Tribunal Federal por crime de peculato e formação de quadrilha.

O surreal da história é que a referida figura chegou e saiu do plenário algemado e em camburão, uma vez que se encontra preso.

Indiferentes aos clamores das ruas, os nossos políticos continuam dando lições de corporativismo e, principalmente, de cinismo.

Afinal, que país é esse que estamos construindo?

Que manchetes nos jornais internacionais nos aguardam?

E já que está tão em moda se falar em vandalismo, esse é o vandalismo verdadeiro praticado contra os cidadãos comuns que produzem riqueza e pagam regularmente seus altos impostos.

Claro, abre-se um precedente para que outros políticos, já julgados e aguardando penas prisionais, tenham a mesma sorte do deputado de Rondônia e igualmente sejam agraciados com a manutenção de seus mandatos.

Mais uma vez as nossas esperanças de um mínimo de justiça vão se esvaindo diante dos fatos.

Tudo isso nos passa uma sensação de fim de festa, uma espécie de baile da Ilha Fiscal, em que, cientes da impunidade, esses falsos representantes do povo continuam se locupletando do dinheiro público, sem maiores consequências.

Aliás, prisão para eles é mais uma continuação dessa espoliação indevida, já que nós, a carneirada, continua pagando as suas benesses.

Afivelemos, portanto, nossos narizes de palhaços enquanto aguardamos a grita de uns poucos políticos honestos que, certamente, ainda existem.

Que sejamos poupados de situações como essa que mancham gravemente a nossa história democrática e nos cobrem de vergonha.

País pobre, em desenvolvimento sim, mas não visto como uma imensa aldeia surreal.

O mais indecente nessa farsa de país do terceiro mundo é que, se a votação da cassação do deputado presidiário em Brasília fosse realizada com o voto não secreto, o resultado seria outro.

Como confiar em gente desse tipo na Câmara dos Deputados?

E dos representantes “do povo” que se abstiveram de votar, ou votaram em branco?

A festa realmente chegou ao final.

Esperar por dias melhores está cada vez mais difícil, e com razões.

Pobre país de vendilhões e covardes! 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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