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Gabriel Novis Neves
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Domingo, 22 de setembro de 2013, 10h57

Baianinho

Com o surgimento do “Novo Mato Grosso”, slogan do governo de transformação de Pedro Pedrossian, “os filhos de ninguém”, finalmente tiveram vez e voz neste Estado.

Com certeza um dos mais brilhantes dessa geração foi o economista Edson de Souza Miranda.

Polêmico, o inquieto aluno de Mário Henrique Simonsen, era portador de uma pressa incomum.

“Tudo é possível de ser realizado” – era a sua ideologia.

Como outros da sua geração, alicerçaram o jovem governador a decisões importantes que viabilizaram a transformação de ideais em obras físicas no velho Estado Curral.

Tornaram-se camaradas o baianinho de Poxoréo e o armênio de Miranda.

Pedro brincava que na sua administração existiam auxiliares com profissões definidas (médicos, engenheiros e advogados) e os outros chamados de “professores”.

O professor Edson Miranda não foi apenas um pioneiro de uma nova ciência, mas acima de tudo, um grande provocador social.

O seu maior legado não foi a modernização que implantou no sistema fazendário do Estado, e sim, a sua visão burocrática de como assessorar o reitor da então recém-criada UFMT a não entregar o ouro ao “inimigo”.

Por meses o acompanhou ao maior teatro de ilusionismo com números matemáticos para evitar a inviabilidade da nossa UFMT.

Usou de toda a sua habilidade técnica para evitar que se consumasse a morte prematura de uma das melhores universidades públicas brasileiras da atualidade, com excelente escola de medicina como referência.

O reitor combinava fazer o papel de um alienado e ele de um economista ininteligível.

O baianinho foi de extrema lealdade com os objetivos iniciais da UFMT.

Jamais, em vida, teve o seu valor reconhecido pela Instituição.

Era um andarilho com faro ligado para os cérebros aproveitáveis na nossa missão de transformar o Estado, pela educação. Deu oportunidades a muitos jovens. Aposentou-se e iniciou uma nova frente de trabalho, voltada sempre para o social.

A Rádio Comunitária do Araés, o trabalho com as crianças ensinando-lhes a informática, o carnaval do Largo da Mandioca e, a sua permanente atividade cultural, o tornaram muito querido, especialmente, nas camadas mais necessitadas da nossa população.

A sua existência terminou em um esqueleto abandonado, hoje, moderno hospital centro de referência em ensino médico.

Nosso baianinho de Poxoréo aproveitou todos os segundos que a vida lhe concedeu, sempre com um sorriso de ironia.

Até, amigo! 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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