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Gabriel Novis Neves
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Segunda, 14 de outubro de 2013, 08h11

Segunda-feira

Estatísticas mostram que grande parte das pessoas sente um enorme desconforto com o término do fim de semana e a subsequente chegada da segunda-feira.

Do ponto de vista médico, inclusive, um número maior de infartos do miocárdio ocorre neste dia.

Tudo leva a crer que os compromissos e as atividades profissionais nada estimulantes sejam as principais causas destes acontecimentos, uma vez que se supõe que quem está feliz com o que faz, não deveria ser dominado por essas cargas tão negativas.

Como uns poucos privilegiados conseguem trabalhar com o que lhes dá prazer, fica fácil entender a causa de tanta angústia.

O preço da sobrevivência, frequentemente, faz com que aceitemos tarefas que nada nos acrescentam e que passam a funcionar apenas como um pesado fardo.

O fato é que a sensação de miniférias que um simples fim de semana pode proporcionar, talvez seja a grande causa de desconforto ao retornar a uma rotina que faz com que a vida perca o sentido.

Existe outro lado da moeda que a moral estabelecida prefere não questionar.

Casais que mantêm um relacionamento já bastante anestesiado em relação à troca de emoções mútuas, mostram comportamento bem diverso do observado nessas pesquisas.

Prova disso são as muitas cefaleias de fim de semana em que um dos cônjuges é acometido sistematicamente.

Nós médicos vivenciamos muito isso nos consultórios.

É como se a musculatura frontal se ressentisse de mais um fim de semana tedioso na vida do casal, isso sem falar das queixas de maridos que apresentam enorme sonolência nos dias que, supostamente, seriam dedicados ao lazer e à família.

Nas grandes cidades, observação comum é o ar sisudo com que homens dirigem as suas poderosas máquinas aos sábados e domingos, geralmente acompanhados de suas esposas e seus rebentos, em contraposição aos dias de semana em que circulam alegres, geralmente na volta do trabalho com amigos ou amigas.

Enfim, a entrega ao trabalho, mesmo que não tanto prazerosa, age muitas vezes como uma fuga necessária e até mesmo insubstituível.

E ainda não falamos dos chamados almoços ou jantares em família, determinados previamente pelo clã como obrigatórios, sinal aparente da perfeita harmonia que reina entre seus circunstantes.

Como tudo que é feito por obrigação, eles perdem rapidamente o brilho e a surpresa dos encontros esporádicos e se tornam despidos de espontaneidade e de interesse, passando a caracterizar mais uma enfadonha rotina.

Isso fica muito patente nas festas de fim de ano em que, terminadas as comilanças e a entrega falsa de presentes, tudo parece compor uma encenação teatral sem que haja uma plateia para aplaudir.

Não por acaso, uma grande tristeza costuma se apoderar das pessoas nessas datas. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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