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Gabriel Novis Neves
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Domingo, 20 de outubro de 2013, 17h02

Saudosismo, não!

Quando somos jovens todos os programas de lazer são maravilhosos!

No final de semana o programa predileto era passar o dia em chácaras nas beiras do Rio Cuiabá, Coxipó ou Coxipó do Ouro.

Churrasco, carne assada, peixe frito, cervejinha, joguinho de futebol, conversa fiada, corpo jogado na rede, uma mergulhada nas águas não poluídas da nossa bacia hidrográfica para amenizar o calor.

A luta contra as moscas. O latido dos cães vadios. A criança peralta que foi queimada pela saçurana. O dia findando. A melancolia surgindo. É hora de voltar.

Tudo era bonito e deixava saudade. No caminho as moradoras da região vestidas com roupinhas de chita e enfeites florais na cabeça.

Restava saber se na próxima semana tudo iria se repetir. Como era longa essa espera! Desde sempre o tempo custa a passar para as crianças, enquanto que, para os adultos, ele voa.

Passados tantos anos, será que tenho paciência para suportar esse quadro que tantos prazeres me davam na juventude?

Sem nem mesmo pensar digo que prefiro o conforto do meu apartamento, onde converso com a solidão.

Aquelas conversas do passado não me lembram de prazer. Como diz o poeta da Portela, “foi um rio que passou em minha vida”.
Essa é a minha mais pura verdade, inimiga cruel dos saudosistas, mas, é o que sinto como idoso.

As pessoas não existem mais e tudo mudou. A beleza foi substituída pela tecnologia.

A idade me fez mais seletivo na escolha dos ambientes de lazer, pessoas e seus conteúdos imateriais.

Não acho mais graça nas antigas e repetitivas conversas. Sinto um enorme prazer em sair do pré-estabelecido. A frase que há anos me norteia é que “para ser o mesmo, tenho que mudar”.

Muitos interpretam a mudança de preferências como demonstração de insegurança ou debilidade de personalidade.

Nada mais equivocado. Os que mudam estão se renovando, como os nossos neurônios, onde milhões são substituídos, ou não, diariamente, segundo o método de vida escolhido pelo cidadão.

Essa é a realidade da vida. Ontem não somos hoje. A idade que substituiu a nossa juventude não exalta o saudosismo – sentimento inútil. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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