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Gabriel Novis Neves
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Quarta, 04 de dezembro de 2013, 09h11

Punho cerrado

Há no Brasil dois tipos de reação dos presos infratores das leis: os que vão para a cadeia de punhos erguidos e fechados em pose de heróis após serem julgados e condenados pela mais Alta Corte da Justiça, e os suspeitos de cometerem delitos que, algemados, superlotam os nossos presídios.
Os primeiros são assaltantes privilegiados do Tesouro Nacional, e se autointitulam presos políticos para, espertamente, desviarem o foco das suas prisões.
Os segundos são bandidos, e merecem o tratamento da lei desumana dos presídios.
Como haverá paz em uma nação onde as desigualdades são patrocinadas pelo próprio governo?
Um dos mais conceituados Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) disse publicamente que o bandido oficial-fugitivo do país tinha suas válidas razões para assim proceder.
Segundo o ministro, ficar em um presídio sem as mínimas condições humanas e possuindo dupla nacionalidade, o condenado tomou a decisão que lhe pareceu correta, e nós devemos entender.
Pior foi a declaração do Ministro da Justiça, que criticou o nosso sistema penitenciário, órgão subordinado ao governo, dizendo que é preferível a morte a viver em condições sub-humanas.
Nesta “crise” foi sugerido até, em regime de urgência, a construção de um presídio tipo cinco estrelas para abrigar réus que “não são qualquer um”.
Só falta o Brasil pedir desculpas aos assaltantes dos cofres públicos.
Parece invencionice que fatos policiais dessa natureza mobilizem um país onde se tem uma das menores taxas de desemprego do mundo e cerca de vinte milhões de desempregados recebendo bolsa desemprego e outras tantas bolsas, verdadeiros estimulantes ao ócio criativo.
Respeitamos a biografia dos presos e louvamos a atitude da nossa justiça.
Digno de registro é que, de todas as dezenas de condenados por participarem do mesmo crime contra o patrimônio nacional, apenas três se dizem vítimas dos seus ideais progressistas. Os seus companheiros são ladrões, e toda essa ação criminosa teve um “operador” sem chefe.
Ninguém demonstrou preocupação com a situação da dona do banco privado que serviu de suporte ao poder.
Que motivos levaram essa senhora a ceder a sua empresa para “ajudar” o governo? No mínimo ela recebeu algum telefonema muito importante, e que jamais revelará.
Sabemos que o governo não gosta de ser contrariado. Possui ferramentas capazes de destruir qualquer instituição bancária em segundos.
A verdade pertencerá à história oral, privilégio para poucos.
Ela não deixa registros, mas merece fé.
A política é uma “arte” onde tudo é permitido para alcançar os fins.
Esse processo que ameaça terminar, após oito anos de perambular pela Suprema Corte, iniciou-se pela farsa do “eu não sei de nada”, garantido pelos atuais presos do processo conhecido como “Mensalão”.
Como retribuição pela sua dedicação, os três que se dizem “presos políticos”, numa alusão depreciativa e desrespeitosa à nossa instituição maior de justiça, receberam o conhecido silêncio do esquerdista-conservador.
Só daqui a um século esses momentos serão entendidos, pois sempre foi assim em se tratando da nossa história.
Assim foi com a escravidão, Proclamação da República, Guerra do Paraguai, a conquista do território do Acre e, recentemente, o período dos militares no poder, com a posse do chefe político do golpe de 1964 na presidência da Nova República em 1985.
Seria um belo momento da nação, que possui a oitava economia do mundo, demonstrar que, finalmente, somos um país sério, contrariando o célebre general francês quando em visita ao Brasil.  

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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