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Gabriel Novis Neves
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Quarta, 18 de dezembro de 2013, 14h55

O escritor e a escrita

As pessoas que gostam de escrever,seres hipersensíveis, em que a palavra oral não é suficiente para expressar assuas emoções, absorvem mal as incompreensões do dia-a-dia.
Com um grau de suscetibilidade bemmaior que a maioria dos mortais, elas se abalam e perdem a criatividade,basicamente, em duas situações: na tristeza e na mágoa.
Não estou me referindo à tristezaexistencial, a dos poetas, que, como já definia Vinicius em seus versos, éextremamente proveitosa.
Estou falando daquela tristezacircunstancial, oriunda, fundamentalmente, da incompreensão e da mágoa que daíadvém.
A visão etérea da vida que pulsa, e queaos poucos se esvai, torna o escritor muito sensível a tudo que não se encaixeno seu mundo utópico.
Todos os outros sentimentos sãoprofundamente propícios a quem se desnuda através da palavra escrita. Essatotal exposição, apesar de dolorosa, é absolutamente indispensável aosportadores dessa verdadeira síndrome que se traduz na arte de escrever.
O amor, com a sua consequente alegriade viver, é o melhor caldo de cultura para esses mergulhadores da almahumana.
Sentimentos menos nobres como inveja,ódio, maledicência e competição, são sempre substituídos por racionalismo ecompreensão, não por razões meramente moralistas, mas,tão somente, por tentar buscar beleza em tudo que os cerca.
As alegrias, sempre encontradas naspequenas coisas, fazem com que elas cheguem ao seu ápice. Tudo é maximizado noseu universo onírico, e a sua capacidade de simbiose com o que os rodeia, chegaa níveis que só os poetas vivenciam.
É como se homem e natureza se unissemnuma experiência única.
Entretanto, as alterações humoraiscausadas pela tristeza, abatem essas pessoas de uma maneira devastadora.
Fico imaginando, por exemplo, um gênioda literatura como Oscar Wilde, que passou anos de sua vida atormentado porpreconceitos torpes, tendo, inclusive, sido encarcerado por algum tempo emdecorrência desses desencontros com a sociedade em que viveu. Quantacriatividade a humanidade deve ter perdido durante esses longos períodos!
Inimaginável é o grande sofrimento aque tantos luminares da história foram submetidos por pura incompreensão.
Enfim, é sempre muito difícil lidar comas diferenças, sejam elas econômicas, sociais, sexuais ou religiosas.
Quem sabe virá o dia em que todos serespeitarão mutuamente nas suas diferenças e nos seus anseios, num equilíbrioestável, em que, despidos dos sentimentos de posse, todos possam exercer a suaplena individualidade.
Como a mágoa, o ressentimento e atristeza costumam ser a tônica da vida da maioria das pessoas, é fácilcompreender o estado de estagnação psíquica que assola ahumanidade.
Esse estado crônico, totalmenteanômalo, uma vez que nós, assim como toda a espécie animal, fomos basicamenteprogramados para o prazer e para a contemplação, somos os responsáveis porinúmeros distúrbios funcionais que geram as chamadas doenças psicossomáticas,praga dos tempos modernos.
Viva e deixe viver, seria um bom lemade vida.  

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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