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Gabriel Novis Neves
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Quinta, 30 de janeiro de 2014, 09h36

Você e a sua criança

Em que época da vida você acertou as contas com a sua criança?

Essa é uma pergunta que costuma ocorrer a todos os adultos especulativos.

Em que momento aqueles sonhos que você havia programado como meta de vida foram destruídos ou substituídos por outros valores mais próximos à realidade?

É impressionante como isso ocorre em épocas diferentes para cada um de nós. Alguns, só têm esse insight depois de um grande sofrimento, muitas vezes auxiliados por uma terapia. Outros passam a vida buscando isso e culpando os circunstantes por não terem conseguido esse momento.

À medida que a seriedade dessas programações de adolescente vai se tornando mais leve, maior a possibilidade de um adulto mais feliz despontar.

Ao contrário, uma criança, muito cobrada em termos éticos, morais e religiosos, dificilmente conseguirá minimizar os efeitos disso na sua personalidade e, quanto mais tarde o fizer, maior a “sensação de vida que poderia ter sido e não foi”.

Quantas vezes nos pegamos fazendo cobranças pessoais difíceis de cumprir, nos amando de menos e subestimando os nossos mais profundos desejos.

Todas práticas patológicas, dependendo do grau em que ocorram.

Quanto mais cedo for feita essa catarse, maiores as possibilidades de encarar o passar dos anos com a tão necessária leveza que a própria velhice exige.

Por incrível que pareça já tinha feito todas essas considerações quando, numa dessas estadas no Rio de Janeiro, tive a oportunidade de assistir à encenação de um texto do grande poeta português Fernando Pessoa.

Tratava-se de um monólogo, aliás, brilhantemente interpretado pelo ator Rafael Camargo, na Casa de Cultura Laura Alvim.
Nele, o fantástico ator interpreta as três personagens do escritor no momento em que se confronta com os seus três “eus”: Fernando, o adulto, Alberto a criança e Ricardo, o escritor.

Num jogo de palavras, assombrosamente bem elaborado, somos levados pela vida afora a vestir cada um desses personagens a cada momento, como se o próprio Fernando Pessoa fôssemos.

A criança desprotegida aparece com toda a sua força alternada com o adulto culpado e reprimido em que, praticamente, todos nós nos tornamos.

Espetáculo absolutamente imperdível para todas as pessoas de sensibilidade e, que, por acaso, gostem de pensar. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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