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Quarta, 12 de fevereiro de 2014, 09h17

Temos cultura

Será que o Ministério dos Esportes, que coordena o Projeto da Copa 2014, tem interesse em esclarecer ao jornal espanhol El Pais que publicou que a nossa cidade é pobre em museus e amostras de artes?

O jornal da terra do Rei disse que temos mais de mil bares e que a turma daqui só gosta de beber cerveja, omitindo, inclusive, que somos uma das subsedes localizadas no santuário do pantanal, sonho de todo estrangeiro em conhecer a beleza da sua flora e fauna selvática.

O historiador e professor da nossa universidade federal (UFMT), Alfredo da Mota Menezes, deu uma sugestão que, por problemas éticos, jamais me atreveria, porém, apoio integralmente a iniciativa de quem conhece a nossa cultura.

Lembrou que o governo do Estado, só no tal do VLT, está gastando um bilhão e meio de reais para, talvez, inaugurar para a Copa o trecho entre o Aeroporto de lona até a Ponte Júlio Muller.

Na Arena Pantanal, revestida de lona verde para lembrar o verde das nossas matas e cujo esgoto desemboca “in natura” no Rio Cuiabá, gastou-se a bagatela de seiscentos milhões de reais, incluindo as cadeiras.

A prefeitura de Cuiabá, a grande beneficiada pelo evento internacional, também está com dinheiro em caixa, pois só o repasse feito este mês para a nossa laboriosa Câmara de Vereadores foi de um milhão e oitocentos mil reais.

Então, dinheiro, os governos estadual e municipal têm.

Se for preciso inteirar algum, é só correr o chapéu entre o pessoal das agências de viagens, hotéis, restaurantes e os mais de mil bares existentes que ganham dinheiro com o turismo.

Alfredo fez uma listagem estrategicamente escondida do Ministério dos Esportes na defesa da nossa cultura, exatamente porque todas essas obras que serão listadas foram realizadas no período de dez anos do regime militar.

Vamos recordar que temos cultura para exportação?

O Museu Rondon - com a Oca e a Casa da Flauta - estrategicamente localizado em frente ao Parque Aquático da UFMT, cuja identificação das comunidades tribais com a água é imediatista.

O Museu de Arte e Cultura Popular com um acervo de mais de 4.000 peças.

O Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional, com mais de 5.000 microfilmes tirados nos museus de Portugal e da Espanha sobre a nossa história.

O Zoológico da UFMT, inquietante ao mais zeloso observador, pois, propositalmente, foi construído ao lado do Centro de Tecnologia, num harmonioso casamento de meio ambiente com tecnologia.

O único teatro existente no Estado de Mato Grosso, inaugurado pela grande atriz Tônia Carrero com a peça Macunaíma de Mario de Andrade, dirigida por Antunes Filho.

A Biblioteca Central com a história regional do nosso Estado.

O Cineclube Coxipones. A nossa Orquestra Sinfônica, Quarteto de Cordas e Coral. A Editora da UFMT. O traçado genial do Oscar Niemayer para a ocupação do cerrado do Coxipó. Os contadores da epopeia do ensino superior em Mato Grosso, que teve o seu início em 1808 em Vila Bela da Santíssima Trindade e terminou com a criação da nossa UFMT na base aérea de Campo Grande, por decisão de um General Presidente.

Contar aos turistas que durante anos a UFMT foi chamada de Universidade da Selva e teve papel importante na conquista da Amazônia. É talvez a única Universidade que construiu com os seus técnicos uma pista de pouso para aviões búfalos e uma cidade laboratório em plena selva Amazônia.

Cultura e história nós possuímos. O que falta é mais humildade e vontade política para mostrar todas essas conquistas aos turistas da Copa, investindo parcos recursos para adequação e manutenção dessas preciosidades.

Nem é bom recordar que após a conquista do tricampeonato de futebol, o técnico Cláudio Coutinho ministrou aqui em Cuiabá uma palestra para nossos alunos e a comunidade em geral sobre como ganhar uma Copa do Mundo no exterior.

Agora, temos a Copa aqui e, nada fazemos para mostrar quem realmente nós somos.

 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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