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Gabriel Novis Neves
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Quinta, 06 de março de 2014, 14h35

Ridículo

Com o aumento da expectativa da vida entre humanos, o adjetivo “ridículo” passou a ser empregado, por algumas pessoas preconceituosas, ao se referirem aos atos dos idosos. Muito se tem escrito sobre isso.

Leio e, como idoso, me divirto com a maioria dos conceitos emitidos, mesmo pelos considerados especialistas na arte de envelhecer.

Isso confirma aquela velha história que diz que a prática é bem diferente da teoria.

Há, como em outros períodos da nossa existência, coisas boas e não tão boas assim, que só os privilegiados conseguem alcançar e viver na sua plenitude.

O saldo é altamente positivo nessas condições.

Entretanto os idosos, mesmo sendo a velhice a época da dita sabedoria, às vezes, não têm nenhuma noção do “ridículo” com o qual são coroados nos seus arroubos juvenis.

Isso é frequentemente observado quando os velhinhos, entusiasmados por fatores endógenos e raramente exógenos, vão a shows em casas noturnas ou apenas frequentam lugares de mais boemia e descontração.

Embalados pelo ambiente, a alegria é inevitável, e, aí, são catalogados pelo preconceito, como em atitude não compatível para a sua idade.

Justificam que eles se tornam verborrágicos, engraçadinhos, infantilizados e, até, ridículos.

Com pessoas inteligentes essa situação é vista com naturalidade e contornável facilmente.

Nada melhor para administrar um idoso que outro idoso.

Tudo passa sem deixar traumas ou sequelas, pois nesses casos o tudo é o nada.

Essas incompreensões têm me chamado a atenção, não com a frequência necessária para me tornar um expert nesse assunto.

Não entrarei na etiologia dos males ou dos bens que levam os “infelizes” velhinhos aos momentos de alegria.

Geralmente, são bens de amor. E se é que eles precisam ser curados, o próprio amor resolve.

A verdade é que nós queremos os nossos velhinhos em casa, em sua cadeira de balanço lendo classificados dos jornais e comentando que tudo está tão difícil e com os preços pela hora da morte.

Também existem os bonzinhos, adaptados ao sistema hipócrita e castrador, geralmente familiar, que pensam muito na inevitável morte ou, mais corretamente, no final da nossa existência.

Agora, velhinho saliente é muito bom e divertido, mas só se for avô dos outros. Nosso? Não! Nunca!

Que incompreensão com essa derradeira - ainda que angustiante - bela fase da vida!

É, tenho que concordar com Luis Fernando Veríssimo quando diz que “... desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo”. Só assim mesmo é que o idoso pode viver sua vida intensamente, e como melhor lhe aprouver.

 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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