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Gabriel Novis Neves
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Segunda, 31 de março de 2014, 15h12

Doador

Alguém capaz de em vida doar um de seus órgãos, além de praticar um ato de amor, demonstra principalmente a solidariedade que deveria fazer parte da espécie humana.
Quando o doador cede um dos seus órgãos para salvar a vida da sua esposa, é a maior prova de amor que toda a mulher sonha em receber do seu marido.
Mas, o mundo é cruel!
Não perdoa gestos grandiosos e infelizmente algumas pessoas, cegas pelo desencanto e possuídas pelo ódio e pela inveja, sentimentos dos covardes, analisam essa atitude de despojamento como oportunismo, por ser o doador um jovem político de grande visibilidade e futuro.
A humanidade é má por inclinação e corrupta por oportunidade.
Impossível humanizá-la mesmo com atos como este, que amplamente difundidos pela mídia, emocionaram a cidade.
Afinal, todas as pessoas de bem, se identificam com atitudes dessa natureza, partam de onde partirem.
O homem público não tem o direito à privacidade mesmo nos seus dramas pessoais, oferecendo alimentação farta aos insatisfeitos com a vida.
Conheço verdadeiros heróis aqui em nossa cidade, que fizeram também esses atos de doação, especialmente rins para familiares ou pessoas compatíveis para não rejeição.
Entretanto, sendo oriundas do mundo não glamorizado, essa lição de humanismo ficou restrita aos amigos e médicos, os acompanhantes privilegiados nos momentos bons e nos ruins da vida.
Temos que aplaudir o que é certo e, tentar corrigir o errado neste mundo onde leis são feitas para humanizar a selvageria presente na maioria das pessoas.
Parabéns Mauro pelo seu silencioso gesto a ser imitado, contrariando o velho provérbio popular que diz que falar é fácil.
Difícil é fazer e, você fez. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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