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Gabriel Novis Neves
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Quinta, 08 de maio de 2014, 09h47

Cigarro eletrônico

Com certeza a indústria das drogas é uma das maiores e mais lucrativas do planeta, além de ser uma força poderosa.
Assim que o tabaco foi apontado como um dos maiores vilões da humanidade, o índice do seu consumo caiu significativamente.
Propagandas maciças bem elaboradas, mostrando os inúmeros danos físicos crescentes provocados em seus usuários, foram fundamentais nesse processo.

No Brasil estima-se em 30% essa queda.
Mas, atentos a esse mercado tão lucrativo, apesar de maléfico, logo começaram a aparecer no mundo os chamados cigarros eletrônicos - e-cigs.

Logo tidos como menos agressivos pelo mundo afora, imediatamente se transformaram em moda aqui também, como era de se esperar.
Não é, entretanto, o que a ciência vem comprovando. Estudos recentes mostram que se trata de uma estratégia industrial, já que os e-cigs têm se mostrado tão tóxicos quanto os tradicionais, e até com possibilidade de piora do quadro de alguns fumantes.

De tal forma que a OMS (Organização Mundial de Saúde) está cogitando tomar medidas para aumentar os impostos e para restringir a propaganda dos e-cigs.

Basicamente, um dispositivo lembrando o modelo tradicional, esquenta um líquido que pode não conter nicotina, produzindo assim o vapor, tão ansiosamente tragado pelos viciados na droga.

Segundo estudos americanos da publicação médica “Jama Pediatrics”, o uso do aparelho pode até atrapalhar os dependentes da nicotina.
Novecentos e quarenta e nove fumantes dos cigarros eletrônicos foram observados durante um ano. Desses, apenas 10.2% conseguiram deixar o vício. O índice entre os que não usaram o dispositivo foi bem maior, chegando a 13.8%.

Nessa luta contra a droga ficou provada que são fundamentais inúmeros outros fatores, tais como, biológicos, sociais e, principalmente, psicológicos.

No Brasil, a comercialização dos e-cigs está proibida, o que não impede que usuários tentem buscá-lo no exterior.
Com os bilhões de dólares que permeiam o circuito das drogas, é difícil de acreditar no fracasso das inovações nesse mundo.
A humanidade, sedenta de muletas emocionais, absorve facilmente tudo que a livre do tédio e do desencanto que a domina.  

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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