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Gabriel Novis Neves
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Quinta, 26 de junho de 2014, 09h29

Outra Visão

Eu e um grupo de amigos fizemos um movimento inverso. Fomos observar, in loco, a reação dos argentinos, nossos maiores rivais no futebol, aos primeiros jogos da Copa Mundial.

Em tempos não tão remotos, entre outros imortais gênios do futebol, tínhamos o Pelé e eles o Maradona.
Até hoje se discute apaixonadamente quem foi o melhor.

Agora temos o Neymar e eles o Messi. Outra controvérsia, já que o argentino, poucos anos mais velho que o craque brasileiro, já acumula vários títulos de melhor do mundo, ao contrário do nosso ídolo que ainda é virgem nesse quesito.

Para nós foi muito triste encontrar a bela cidade do tango mergulhada em profunda crise econômica e a população cabisbaixa com toda a atenção voltada para o que irá acontecer nos próximos dias.

Notamos poucos sinais externos de otimismo com relação aos jogos da Copa. Parece-me que o povo não mais se importa com uma possível conquista do troféu da FIFA.

Poucas manifestações populares, representadas apenas pela visão de uma ou outra bandeira da pátria na fachada de algum apartamento.
Dada à profunda crise econômica, ruas vazias, comércio fraco e semblantes pessimistas.

Nada que lembrasse que a poucos quilômetros dali seus compatriotas disputavam o título de melhores do mundo no seu esporte predileto.
Desencanto geral com o futebol atual, onde não mais existem jogadores dos clubes, e sim, um negócio de altos ganhos empresariais?

A visão que tivemos é que a Copa do Mundo - assim como outros grandes eventos esportivos - é fabricada e manipulada por grandes interesses comerciais, e com o apoio das mídias compromissadas com as principais redes de comunicação.

Essa é a opinião de motoristas de táxis, garçons, trabalhadores no comércio. Não notamos neles nenhum sinal de entusiasmo pelos seus conterrâneos.

A TVP (Televisão Pública local) transmite todas as partidas. Nos intervalos entre primeiro e segundo tempo, notícias oficiais da Presidência da República.

Dia desses, logo após um jogo importante, a TVP entrou no ar em horário diferenciado e, em vez dos famosos comentários sobre a partida, o Ministro da Economia fez um longo e detalhado pronunciamento sobre a séria crise econômica que assola o seu país e o prognóstico nada favorável à nação Argentina.

A falta de entusiasmo da gente simples portenha é explicada em grande parte pelo aumento das dificuldades financeiras pelas quais ela passa em função dos sucessivos desgovernos.

Apesar de tudo, a bela metrópole continua exuberante, lutando freneticamente para exibir suas tradições culturais numa cidade com cheiro de decadência.  

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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