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Gabriel Novis Neves
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Sexta, 19 de dezembro de 2014, 08h57

Delação premiada

Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, optou pela delação premiada para diminuir seus anos de cadeia pelos crimes cometidos contra o erário público.

Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional repetiu tudo que dissera à Polícia Federal do Paraná.

A mais chocante das suas revelações, já do domínio público, foi a afirmação de que trinta e cinco políticos estiveram envolvidos no assalto à nossa principal estatal.

Acrescentou que as irregularidades cometidas na empresa de petróleo acontecem no Brasil inteiro onde existam obras do governo - das rodovias às hidrelétricas.

Todo brasileiro desconfiava da roubalheira, mas o poderoso ex-diretor generalizou o deslize ético, deixando como suspeitos todos os políticos e empresas desta nação.

Isso veio corroborar com a declaração do advogado do doleiro encarregado das operações financeiras para a quadrilha quando disse que, por menor que seja o município brasileiro, não se assenta um paralelepípedo sem pagamento de propina.

Assim nasce o famoso custo Brasil, que é o encarecimento e a péssima qualidade das nossas obras.

A limpeza para salvar o Brasil da corrupção institucionalizada tem que ser ampla e irrestrita.

A pergunta que os pagadores de impostos fazem: - haverá vontade política para colocar os interesses nacionais acima dos pessoais?

O governo tem a faca e o queijo na mão para executar essa assepsia e promover mudanças urgentes e necessárias respeitando o estado de direito.

Diz um provérbio português que "A última gota d'água faz transbordar o copo". Só um entendimento entre os três poderes da República e a sociedade civil pode evitar que o copo transborde.

Ou tomamos uma decisão drástica e imediata ou teremos de conviver com as consequências de uma inundação de insatisfações e indignações até que tenhamos o mesmo destino do Titanic.  

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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