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Gabriel Novis Neves
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Quinta, 15 de dezembro de 2011, 11h06

Dois destinos

Após mais de onze anos de muitas audiências públicas, lutas e esperanças por uma saúde pública melhor, o rolo compressor do governo derrotou a emenda 29.

O projeto de emenda constitucional - PEC 29 - visava mais recursos para a saúde.

Após insultos, ameaças de agressão entre o presidente da Casa e o seu brilhante colega de Goiás, o governo conseguiu o que queria.

Não foi aprovado o aumento de recursos federais para a nossa tão debilitada saúde pública.

Foi decretado o falecimento do SUS, o maior plano de saúde do Brasil.

Nosso país está mal colocado em investimentos na saúde pública – se comparado com alguns países sul americanos.

No Grupo dos 20 países mais desenvolvidos do mundo, o Brasil ocupa o 15% lugar.

O governo federal continuará arrecadando as nossas riquezas e devolvendo migalhas para programas de resultados duvidosos, para as regiões de uma nação tão desigual.

De bom, na aprovação do Senado, apenas as dificuldades de maquiagens contábeis feitas pelos governos estaduais e municipais.

Nada que o tempo não encontre uma saída técnica, como acontece agora, em que várias despesas são debitadas como investimento em saúde como,por exemplo, pagamento e aposentadorias dos seus funcionários.

Fácil compreender que, sem aporte financeiro federal, não se faz saúde de qualidade.

As previsões para o nosso Estado, não são boas. Com a Copa do Mundo a prioridade de recursos nos próximos anos será com construção de estádio de futebol, centros de treinamentos e o transporte modal VLT.

O tesouro do Estado está tão desfalcado, que o governo decretou férias coletivas extemporâneas de servidores públicos como medida de economia.

A nossa capacidade de endividamento está saturada nos próximos anos e, recursos para saúde de qualidade, nem pensar.

Para quem espera recursos estaduais para a saúde, é bom tirar o cavalinho da chuva.

Mato Grosso tinha informações privilegiadas sobre o destino da PEC 29.

Não foi à toa que, há meses, o governo repassou a gestão da nossa saúde pública para as OSS, que trabalham com fins lucrativos.

Lucro em programas sociais significa a anemia dos mesmos, às vezes chegando à morte.

A prefeitura da nossa Cidade Azul está falida, após vender todo o seu patrimônio.

O último a ser leiloado, foi o serviço de água e esgotos.

Seguindo o exemplo do Estado, o Município cedeu o seu hospital de

Pronto Socorro para as OSS do governo estadual.

O prefeito sem dinheiro, e muitos problemas, ficará como síndico do prédio do Palácio Alencastro e comandando a Van do Consultório de Rua.

Se a nossa saúde pública está mal por falta de financiamento público federal, imaginem como ficará sem nenhuma ajuda.

Como presente de final de ano, não poderia ser pior a escolha.

Queda de ministros sob acusação de corrupção (6), dois na fila, e um querendo furar a fila, o povo brasileiro já se acostumou.

Morrer por falta de decisão do governo em atender essa área... aí também já é demais!

Enquanto isso, o mesmo Senado que negou mais recursos para a saúde do brasileiro, aprovou quase por aclamação a emenda constitucional prorrogando por mais cinco anos a DRU.

Desvinculação dos Recursos da União (DRU) autoriza o governo federal a gastar como quiser 20% dos recursos arrecadados.

Isso significa que o presidente da República ficará com algo em torno de 62 bilhões de reais.

É muito dinheiro para um cheque em branco, em um país sem saúde, educação e segurança.

A sensação que fica com essa incompreensão do governo, é de infelicidade na escolha de dois destinos. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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