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Quinta, 22 de dezembro de 2011, 09h00

Dezembro diferente

Dezembro é o mês oficial das festas. Mês da confraternização e do 13º salário. Do nascimento de Cristo - pouco festejado - e do Papai Noel - idolatrado pelo comércio.

Dos fogos de artifício, daquela vinhetazinha chata da TV Globo e dos programas de final de ano - destaque para o réveillon na praia de Copacabana.

Há, nas principais capitais brasileiras, uma competição para saber quem consegue queimar mais dinheiro do contribuinte.

A aferição é feita pelos minutos da queima dos fogos, que é dinheiro, e muito. No final do espetáculo pirotécnico, sempre aparece alguém famoso pedindo atenção maior para os pobres desta nação.

Este ano teremos um dezembro atípico em todos os níveis do governo. Saem as árvores de Natal e os presépios e entram os escândalos contra o patrimônio público. E, são tantos, que o saco do Papai Noel e do povo brasileiro estão cheios.

Comentar o que se passa lá por Brasília e seus ministros demissionários, é perda de tempo. Tampouco vou perder meu tempo falando do governador do Distrito Federal – que segundo a imprensa, entrou na corrente da corrupção dos seus antecessores.

Hoje, quero falar do meu Estado. Nos últimos anos, no mês de dezembro, ele – o Estado - vivia a expectativa triunfal da chegada do Papai Noel de helicóptero.

Velhinho genérico e bondoso distribuía presentes doados pelo comércio às crianças e alimentos, dos nossos produtores rurais, às famílias carentes. Toda esta demonstração de caridade cristã era cuidadosamente preparada. Uma monstruosa festa era montada por gente especializada em eventos.

Este seria um ato de comovente solidariedade humana - se a distribuição de presentes ficasse por aí. Mas, o bondoso governo, segundo a Polícia Fazendária, não se esqueceu dos ricos. Fez ampla distribuição de mimos, chamado de Cartas Marcadas.

Dezembro é mês síntese do que foi o ano. Nosso Estado foi premiado com a péssima educação oferecida em todos os níveis, tirando precocemente os nossos alunos do mundo competitivo.

A implantação das ilegais OSS, na interpretação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), foi um atestado que o Estado não tem condições de gerenciar a saúde em Mato Grosso.

A segurança pública avançou com os seus índices negativos de criminalidade. Por incompetência do governo, que sabe que precisamos de, pelo menos, mais de dez mil homens treinados no seu efetivo, contrata menos de mil - e compra dez jipes russos para proteger as nossas fronteiras.

Todos esperavam por um dezembro melhor, com notícias alegres e promissoras.

Notícias das obras para a Copa das Confederações, com os operários da Arena Pantanal trabalhando em três turnos (foi prometido).

Os Centros de Treinamento em acabamento. A cidade toda remexida por obras de alargamento das nossas principais avenidas. Construção em andamento dos viadutos. E as obras do grande legado para a Cidade Azul - o tão sonhado transporte modal VLT.

Nos jornais o que lemos neste dezembro são informações surpresas para a maioria esmagadora dos nossos trabalhadores.

Super salários para certas categorias funcionais, não respeitando o teto constitucional; nossa capital como uma das três cidades com risco de uma epidemia da dengue, que mata; e aquilo que não é mais novidade para a população de Mato Grosso - impunidade e corrupção.

O grande sucesso neste dezembro atípico foi o estouro de um tumor que se arrastou por anos. Cartas Marcadas ganhou o troféu Ano Novo.

Segundo a imprensa, tem tanta gente graúda envolvida, que o pagador de impostos gostaria de ser informado como isso aconteceu.

Pelo montante do valor essa organização tem chefe. Quem é? Saber o nome seria o grande presente de Papai Noel para todos nós.

Senhor governador, não deixe intermediários falar sobre esse caso. Chame esse caso para a sua responsabilidade e esclareça a opinião pública.

Este é o presente de Natal que lhes pedimos. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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