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Segunda, 09 de janeiro de 2012, 15h27

Beleza

Não tenho um referencial para definir o atual conceito de beleza. Houaiss nos diz que beleza é a “qualidade do que é belo ou bom”. Para mim, um conceito muito vago.

Prefiro a descrição feita por S. Tomás de Aquino. Diz ele que beleza é aquilo que provoca um conhecimento gozoso, uma emoção que nos é provocada pelo estético.

 

Assim sendo, beleza é o que toca os nossos sentimentos e estimula o nosso sistema nervoso central, com o seu arsenal de glândulas distribuídas em pontos estratégicos do nosso organismo.

 

Ao longo dos tempos os padrões de beleza sofreram inúmeras alterações. Atualmente, a beleza é vendida nos comerciais de TV, nas revistas e na mídia de um modo geral. A moda e a sociedade impõem regras – muitas vezes prejudiciais à saúde – para o belo.

 

Os jovens, e os não tão jovens assim, são influenciados pelo que veem e leem. E, para satisfazer a sua necessidade de parecer belo, chegam a correr risco de vida com cirurgias altamente complexas.

Para mim a beleza é filha da natureza. Só ela para parir tanta beleza, inclusive com os seus caprichos marcantes. Nascer com a assinatura da natureza é o prêmio maior que alguém possa ganhar. Um sinalzinho de nascença, por exemplo, é uma marca maravilhosa.

As brincadeiras da natureza, o homem poderá e deverá corrigir, e somente nesses casos.

Sou inimigo do conceito de beleza imposta atualmente pela mídia. O que seria das feias, na classificação midiática, se há gosto para tudo? A ditadura da beleza me incomoda pela truculência e pela impossibilidade da livre escolha.

Fico meditando o que leva uma linda adolescente a enfrentar um centro cirúrgico, em uma idade em que não existe feiúra. Muitas vezes essas lindas marcas são produzidas pelo tempo de uma vida ainda não vivida, como recordação de momentos de conquistas.

Alguém já pensou em apagar a felicidade, que é o conjunto de momentos felizes, e os não muito felizes, das nossas conquistas?

A banalização da beleza, que tem que ser obtida a qualquer custo, tem um elevado preço emocional, produzindo, às vezes, sequelas para a vida toda.

A intervenção do homem na beleza humana, sem justificativa convincente, é como o desvio forçado do leito de um rio. Ninguém sabe sobre o final da modificação. Se houve compensação, muito bem, então valeu todo o esforço nessa difícil solução custo-benefício-natureza.

Creio que os meus conceitos não acompanharam o avanço dessa sociedade tão extravagante em que vivemos.

Para evitar conversas prolongadas com antropólogos, sociólogos, educadores, filósofos, poetas, psicanalistas, procurei saber o conceito de beleza de uma escritora francesa (1620-1705) - Ninon de Lencios: “A beleza é uma carta de recomendação em curto prazo.”

Fiquei satisfeito pela modernidade do conceito que procurava - cuja idade tem quase quatro séculos.

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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