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Gabriel Novis Neves
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Quarta, 25 de janeiro de 2012, 09h02

Descanso

O período de férias do brasileiro, também chamado como a época de descanso para repor energias perdidas, só perde em duração para os meses que trabalhamos para pagar impostos, sem nenhum retorno social à população.

No momento, ninguém pensa em trabalhar, e sim, utilizar-se da promiscuidade dos transportes para descansar para o carnaval.

Não conheço ninguém, neste paraíso de contradições, que não esteja de férias merecidas.

Um ligeiro contratempo metereológico no centro sul do Brasil, foi o suficiente para interromper o descanso dos dirigentes do poder, trazendo-os de volta para Brasília.

Como o castigo anda a cavalo, o ministro das chuvas curtia o sol causticante das praias de Recife, onde o céu era de brigadeiro. A presidente, na Bahia, soube pela televisão da tragédia que assolava Minas, destruía o Rio, colocando em risco os barracões das escolas de samba, as únicas escolas brasileiras com aceitação pelos organismos internacionais como de qualidade.

Dizem que, inclusive, a presidente interrompeu as suas férias caríssimas e retornou para comandar as enchentes e a nova crise política, tão comum nesse governo.

Brasília tem, nestas férias, mais ministros que candangos de imunidade parlamentares, tudo motivado por uma simples bobagem.

O ministro das chuvas, que faz política em Recife, liberou 90% do orçamento destinado a atender cidades inundadas do Brasil, para a região do Porto de Galinhas, que é uma praia para milionários nacionais e estrangeiros.

Tudo foi previamente combinado, e o combinado sempre foi barato. Para os cientistas da numerologia: a presidente, que teve em Pernambuco quase 90% dos votos na última eleição, logo, 90% dos recursos foi entregue de porteira fechada ao ministro de lá.

Quando Mato Grosso tinha força política em Brasília, recebemos dinheiro federal para combater os danos do El Nino, que só tomamos conhecimento pelos noticiários da televisão.

Interessante que dizem que esses recursos foram utilizados e que a prestação de contas aprovada pelos órgãos competentes.

E ainda tem gente esclarecida que não acredita na flatulência da Chapada dos Guimarães, produzindo intensa ventania.

A esculhambação com o dinheiro público é tamanha, que ninguém mais se importa com essas tragédias programadas.

“A vida pública brasileira é um circo de anões bem sucedidos,” disse Otto Lara Resende. Vivemos a época da imbecilidade premiada. Quanto mais imbecil for o gestor público, mais chance de uma progressão de sucessos.

Recebi a visita de um velho amigo, que escolheu o meu refúgio como acampamento para descansar. De que, não sei, nem irei perguntar. Talvez do cansativo nada para os principiantes.

Aqui o que não falta é silêncio e tranquilidade, onde todos os dias se parecem com o domingo e a sua solidão protetora.

A liberdade parece até incomodar aos não adeptos desta filosofia de vida, em que perguntar é ofensa grave.

Horas de silêncio, com cada um fazendo o que gosta num mesmo espaço, é uma conversa confortadora.

Não entendo o furor dos aeroportos, com tanta gente procurando aquilo que possuímos em excesso: a beleza da simplicidade de quem mora pertinho do céu e, de onde escrevo, vejo-o encontrar-se com a terra.

Acho que lá, nem de escadinha preciso para entrar no paraíso. Sofro pressão de familiares, parentes e amigos, para sair daqui para descansar.

Com a chegada do meu amigo, continuo sofrendo pressão, desta vez, não para viajar, mas para medir a sua pressão arterial de duas em duas horas.

Diante das pressões recebidas, irei à rodoviária, sem meu medidor de pressão e, para me ver livre delas, escolherei uma viagem para algum lugar que não complique a minha viciada solidão.

Não suportarei pressão para tirar férias e, muito menos, pressão para medir a pressão arterial do meu hóspede.

Vou descansar das pressões. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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