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Gabriel Novis Neves
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Sexta, 27 de janeiro de 2012, 07h55

Horário

Não sei se herdamos da civilização pré-colombiana, dos europeus ou dos africanos, a cultura de não se cumprir os horários e valorizar o atraso em nossos compromissos.

Quando um horário é respeitado desconfiamos que alguma coisa está errada - chega a nos causar estranheza.

Tudo neste país funciona na base do atraso. A televisão nos informa que os atrasos nos voos de avião estão na média de sete horas.

Único horário respeitado hoje é o horário do nascimento das crianças que, na ausência do parto normal, todas nascem em dia e hora marcada de cesariana.

A falta de cumprimento com o horário do casamento religioso, aliado à carência de sacerdotes, fez a igreja católica adotar punições severas para os infratores da boa educação.

Após uma pequena tolerância no atraso da noiva a multa é elevadíssima. Melhorou um pouco para os padres que, em uma noite, às vezes, tinham vários casamentos a fazer, inclusive em paróquias diferentes e distantes.

Para os convidados não alterou em nada, pois nos convites era colocado um horário com antecedência, geralmente de uma hora, e com o padre os noivos combinavam um horário mais tarde.

Neste caso não havia multa, mas o convidado, muitas vezes, desistia da peregrinação completa. Fiz isso várias vezes, pois não consigo me atrasar nos meus compromissos.

Sou médico, e cedo aprendi a administrar o tempo. Os economistas consideram os médicos os melhores administradores do tempo. Conseguem estar em vários lugares na mesma hora, para desespero dos gestores de médicos.

Disseram-me na escola que para mudar a cultura de um povo levam-se séculos. Não tenho mais tempo de vida útil para usufruir de uma civilização onde os horários serão cumpridos e os atrasos penalizados.

Observo certas conversas e noto a alegria quando alguém comenta, por exemplo, que a noiva estava linda, apesar do atraso de quase três horas.

Existe o atraso estratégico, para se evitar o encontro com o beltrano ou com a sicrana.

O mais comum é o atraso promovido pelos políticos, em todas as modalidades. De uma simples visita, a uma inauguração ou a uma festa de colação de grau.

Talvez o não cumprimento do horário não merecesse essas observações, se isso, muitas vezes, não tenha sido a causa do atraso do nosso Estado

Vamos cumprir os horários, gente? 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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