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Gabriel Novis Neves
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Domingo, 12 de fevereiro de 2012, 09h46

Onde estão os índios?

Leandro Narloch nos diz que, “durante os três primeiros séculos da conquista portuguesa, nenhuma família teve mais poder na vila, que deu origem a Niterói, no Rio de Janeiro, quanto os Souza”.

O interessante é que os membros da família Souza, não eram descendentes de nenhum poderoso fidalgo português.
O homem que criou a dinastia dos Souza de Niterói chamava-se Araribóia. Era o cacique dos índios temiminós, que ajudou os portugueses a expulsar os franceses e os tupinambás do Rio de Janeiro.

Com a guerra vencida, muitos temiminós e tupiniquins foram batizados, e adotaram um sobrenome português.
Araribóia virou Martim Afonso de Souza (em homenagem ao primeiro colonizador do Brasil) e ganhou a sesmaria de Niterói, onde alojou a sua tribo.


Menos de cem anos depois, seus descendentes já não se viam como índios: eram os Souza, e faziam parte da sociedade brasileira. Talvez eles se identifiquem até hoje dessa forma.
Muitos historiadores mostram números desoladores sobre o genocídio que os índios sofreram depois da conquista portuguesa.
Dizem que a população nativa diminuiu dez, vinte vezes. As tribos passaram por um esvaziamento, mas não só por causa de doenças e ataques.

Costuma-se deixar de fora da conta do índio colonial, aquele que largou a tribo, adotou um nome português e foi compor a conhecida miscigenação brasileira, ao lado de brancos, negros e mestiços - e cujos filhos, pouco tempo depois, já não se identificavam como índios.

Por todo o Brasil, índios foram para as cidades e passaram a trabalhar na construção de pontes e de estradas, como pedreiros, carpinteiros, músicos, vendendo chapéus, plantando hortaliças e cortando árvores - e até caçando negros fugitivos.
Em 2006, o historiador Márcio Marchioro achou documentos com nome, cargo, idade, profissão e número de filhos dos chefes indígenas na virada do século XVIII para o século XIX.

São todos nomes portugueses, antecedidos da palavra “índio”. A escravidão indígena tinha sido proibida pelo rei D.Pedro II de Portugal em 1680.
Com a expulsão dos jesuítas do Brasil - 1750 - Portugal resolveu transformar as aldeias indígenas em vilas e freguesias. Com isso acabou a proibição de brancos nas aldeias.

Na Amazônia, quem visita a região se espanta ao conhecer pessoas com cara de índio que ficam contrariadas ao serem chamadas de índio - 25% da população indígena da Amazônia já moram em cidades.
Em 2000, a Universidade Federal de Minas Gerais, mostrou que 33% dos brasileiros que se consideram brancos, têm DNA vindo de mães índias.

Em outras palavras: embora desde 1500, o número de nativos no Brasil tenha se reduzido a 10% do original (de cerca de 3.5 milhões para 325 mil), o número de pessoas com o DNA ameríndio aumentou mais de 10 vezes - escreveu o geneticista Sérgio Danilo Pena no livro Retrato Molecular do Brasil.

Estes números sugerem que muitos índios largaram as aldeias e passaram a se considerar brasileiros.
Hoje, seus descendentes vão ao cinema, andam de avião, escrevem livros e, como seus antepassados, tomam banho todos os dias. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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