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Quarta, 14 de março de 2012, 08h19

Sim e não

Está havendo abuso em dizer-se sim, quando sim é não; e não, é sim. O sim moderno nunca foi só uma afirmação, aprovação, consentimento ou ato de consentir. Assim como o não, não está sendo usado apenas como sinônimo de negação ou recusa.

Nos tempos atuais, quando o sim ou o não, são ouvidos como resposta, para ter validade, há necessidade de, pelo menos, uma quarentena de puérpera - que nos meus tempos de criança era rigorosamente de quarenta dias.

O mês de janeiro, geralmente conhecido como mês oficial de férias, é o terror dos jornalistas que fazem cobertura nos poderes da república.

Os prédios chapas-brancas de todo o Brasil ficam às moscas. Um ou ouro vigilante de firma terceirizada, às vezes, dá o ar da sua graça caminhando a passos lentos pelas calçadas do poder, ou sentados nos banquinhos de madeira que só os vigilantes possuem.

O escrevinhador do cotidiano esteve aqui, e detectou um janeiro riquíssimo de assuntos - difíceis de resumir em um artigo.

Posso dizer, com a maior segurança, que nunca, jamais, na história deste Estado de Mato Grosso, houve tanto sim transformado em não, e não em sim.

“Governo anuncia que o Fan Fest da FIFA será no lugar onde o papa João Paulo II realizou a Missa Campal quando esteve em Cuiabá em 1991, na região da Morada do Ouro.”

Foi o sim do governo, após profundos e detalhados estudos da ex-Agecopa, aprovados pela FIFA.

Bastou uma lembrancinha dos evangélicos, que essa escolha privilegiava os católicos, para, em menos de vinte e quatro horas, o solene sim virar um não definitivo.

O Fan Fest será realizado no Porto, no antigo Parque de Exposição Agropecuária.

O que o governo gastou na elaboração do projeto e nas horas técnicas para a decisão do sim virar não, é preferível esquecer, pois somos um Estado rico e endividado.

Decisão do governo: “A Defensoria Pública este ano não terá um vintém de aumento no seu deficiente orçamento.”

Municípios como, Marcelândia, Terra Nova do Norte, Apiacás, Feliz Natal, Itaúba, Matupá, Nova Monte Verde, Nortelândia, Rosário Oeste, Tapurah e Vera, ficarão desassistidos, entre outros municípios, da justiça gratuita.

O Ministério Público Estadual, acatando pedido da juíza de Marcelândia, determinou que, no prazo de quinze dias, a Defensoria coloque defensor em seu município. Caso contrário, o Chefe da Defensoria será punido por crime de responsabilidade. É um não que será transformado em sim.

A Defensoria solicitou recursos ao governo para não deixar as comarcas sem defensores. O governo alegou a crise internacional para dizer não. A justiça ameaça o defensor.

É fácil adivinhar o que irá acontecer. “Um dos últimos diretores da Agecopa, nomeado no governo anterior com mandato de quatro anos, disse não ao governador, quando a sua vontade era de dizer sim.”

“O leigo secretário municipal de saúde disse não aos neurocirurgiões do Pronto Socorro e, ainda por cima dizem - e eu não acredito - passou uma descompostura nos médicos. Até quantas mortes irá suportar, para dizer sim?”

“O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), disse não ao governo, e fui informado que o sim está encomendado.” O secretário Estadual de Saúde estava acumulando essa função com a de deputado federal e disse que não estava irregular em suas funções.

Assinou atos que foram publicados no Diário Oficial, concedeu entrevista coletiva à imprensa explicando porque somos o primeiro lugar no Brasil em hanseníase, despachou com o pessoal das OSS, enfim, fez tudo que um eficiente secretário faz.

Veio a denúncia de acúmulo de cargos. O sim virou não. O governador tornou sem efeito os atos publicados, em um não de reprovação. No momento procuram-se os culpados pela publicação indevida...

Para não ficar pior a situação, escolheu uma viagem para uma consulta médica no SUS dos poderosos, que funciona no Hospital Sírio-Libanês (SP).

Esse gesto reflete que o governo não confia nos serviços médicos daqui, tampouco nas OSS.

Sim e não viraram figuras de retórica dos discursos políticos, e nunca sinal de decisão.

Tempos modernos, onde as palavras são apenas palavras e nada mais.  

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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