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Gabriel Novis Neves
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Domingo, 25 de março de 2012, 15h39

Chico Anysio

Desliguei a televisão após assistir ao noticiário e lamentei a partida para o plano espiritual do velho Chico. Esse genial nordestino – multimídia da alegria – há meses lutou pela vida em uma UTI.

Como fará falta ao Brasil a sua irônica crônica social! Ele encantou gerações com seus personagens de fino humor e irreverência.

Casamenteiro, bom reprodutor da espécie humana, fez de tudo em comunicação e arte. Artista completo, de sofisticada sensibilidade e afinidade com o “entender gente”.

O turbulento momento político em que vivemos neste país republicano foi magistralmente sintetizado pelo Chico ao interpretar uma velhinha em um programa de televisão.

O diálogo entre o entrevistador e a velhinha foi mais ou menos este:

- Qual a profissão da senhora? - indaga o jornalista.

- Puta, responde a velhinha.

Desconcertado com a resposta, o repórter formula novamente a pergunta.

- Já disse: puta! P-U-T-A, entendeu?

O moço engoliu seco e continuou a entrevista:

- E a profissão dos seus pais?

- Meu pai era prático de farmácia e a minha mãe era professora.

- A senhora tem irmãos?

- Tenho só três irmãs.

- E a profissão delas?

- Todas são professoras.

- Então a senhora é a única da família que escolheu essa profissão?

- Sim.

- Como a senhora explica a sua escolha em meio a uma família de professoras?

- Questão de sorte, né? – a velhinha respondeu sorrindo escondida atrás do leque, disfarçando a sua alegria por ter escolhido uma profissão que lhe garantiu uma aposentadoria digna.

A nossa política está como a velhinha do Chico.

Quando perguntam a minha opinião sobre esses escândalos que pipocam em todo o país, beneficiando sempre uma minoria, respondo que tudo é uma questão de sorte.

Há trinta anos o ministro da Fazenda, representando os homens de dinheiro, comprou por aqui um mandato para uma vaga no Congresso Nacional.

Passado alguns anos o nosso governador, como manda a tradição, foi à Brasília de pires na mão pedir o apoio do parlamentar.

Ele ouviu a ladainha e disse que não devia nada ao Estado, pois comprou uma eleição superfaturada.

O raio cai sim duas vezes em um mesmo local.

A gente deste Estado despejou milhares de votos em um candidato para defender nossos interesses junto ao governo Federal.

Mato Grosso, a última vez que teve um político ministro foi no governo Sarney. Somos periféricos do poder e sofremos muito com isso.

“Quem não é visto, não é lembrado”, e os grandes recursos federais são drenados para regiões com poder político.

A bola foi colocada na marca do pênalti para um político daqui chutar e fazer um gol para o carente Estado de Mato Grosso sair dessa humilhante situação social por que passa, embora seja grande contribuidor de dinheiro para o Tesouro Nacional.

O nosso representante não aceitou o cargo de ministro, preferindo continuar cuidando dos seus interesses pessoais.

O poder funciona como etiqueta para certos políticos invadir gabinetes privilegiados e resolver seus problemas privados.

E o povo que os elegeu, que se dane.

Escolher representantes políticos para cuidar dos interesses da nossa gente é “questão de sorte,” como diria Chico Anysio. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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