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Gabriel Novis Neves
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Terça, 29 de maio de 2012, 08h36

Rio São Francisco

Era estudante no Rio de Janeiro quando li nos jornais do Centro Acadêmico, as primeiras notícias sobre o desvio do Rio São Francisco, carinhosamente chamado pela população nordestina de o “Velho Chico.”

No governo anterior de um nordestino, o assunto foi revitalizado, discutido, debatido. Uns querendo, outros não, culminando com a greve de fome de um religioso da região, inimigo mortal do desvio do Velho Chico.

O poder do governo, sustentado por indicadores de pesquisas que deixavam o presidente à beira da unanimidade, empurrou o início das obras.

A palavra desvio foi substituída por transposição. Então a obra ficou conhecida como transposição das águas do Rio São Francisco. Era um dos temas da campanha presidencial.

Confesso que, no momento, ou as obras estão muito aceleradas e em vias de serem inauguradas, ou foi mais uma obra bilionária cancelada neste maravilhoso país das fantasias.

Há tempos não tenho notícias sobre o andamento desse projeto. Pelo silêncio, acho que não vingou – acometido, talvez, do mesmo mal que atingiu o PAC I e PAC II em Cuiabá: “inanição financeira.”

O secretário de Fazenda do Estado, em entrevista coletiva, anuncia o desvio de dinheiro dos cofres do bem protegido Tesouro do Estado.

Levei um susto danado, pois, desvio, para mim, era de trajeto de águas. Desvio de dinheiro público é um eufemismo para roubo.

Qualquer alteração no desvio do Velho Chico, a imprensa noticiava e ecologistas debatiam. O desvio das águas era visto a olho nu.

Desvio de dinheiro público de um cofre fechado, onde poucas pessoas sabem onde fica e somente alguns têm a senha para abri-lo, mereceu uma educada informação do secretário aos donos do dinheiro, que são os pagadores de impostos.

Houve desvio. Foi de lascar essa correta e transparente comunicação! Se o desvio de um rio produzir seca em pequeno trecho, ou inundação, todo mundo vê e denuncia em tempo real. Providências são tomadas e cobradas para sanar o problema.

Dinheiro público desviado de um cofre forte, ninguém vê, ninguém sabe quando começou e, o pior, ninguém sabe o valor do dinheiro vazado.

O governo explica, ou tenta explicar, que este desvio vem acontecendo há muito tempo, e, por isso, é quase impossível determinar, com exatidão, quando tudo começou.

As ruas, entretanto, comentam, com exatidão, quando tudo iniciou - com dia e hora marcada.

Providências do governo acerca do roubo: “serão feitos cuidadosos levantamentos para se avaliar a extensão do tal desvio de dinheiro do cofre forte do Tesouro do Estado.”

Quando todos se esquecerem dessa denúncia do secretário de Fazenda, os membros da comissão de levantamento, que a esta altura já incorporaram esse trabalho no seu holerite, darão o seu parecer.

Provavelmente sem um diagnóstico conclusivo por falta de provas, e um suspeito: O velhinho que vendia picolé de groselha. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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