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Terça, 22 de maio de 2012, 09h53

O mundo político aT/dT

O que existia antes de Taques é velho, ultrapassado, corrupto, criminoso

Incrível que para alguns admiradores incondicionais do senador Pedro Taques (e talvez até para o próprio) o mundo político se resuma a antes (aT) e depois de Taques (dT). O que existia antes é velho, ultrapassado, corrupto, criminoso. O que vem agora, com Ele e sob a luz divina do farol Dele, será uma nova vida política, uma transformação sensacional que enterrará de uma vez por todas toda a podridão da política mato-grossense e renovará irremediavelmente a política nacional.

Para gente do naipe do suplente de senador José Antonio Medeiros, os ponteiros do relógio do tempo político nacional pararam na manhã do dia 1º de fevereiro de 2010, quando Taques fez o seu juramento no plenário do Senado da República. Desde então, comecemos tudo do zero. Conta-se agora uma nova era, a “Era Taquessista”. Apaguem-se tudo o que foi feito no Parlamento e na vida nacional antes dele. O que vale é o que o novo Salvador da Pátria nos traz.

Exageros a parte, é interessante observar o quanto os deslumbrados são capazes de cair no ridículo. Ainda mais deslumbrados que vislumbram muito mais do que defender seu fetiche político, mas de fato ocupar o lugar que ele está. Permitindo-me a mais um exagero, é como se os deslumbrados quisessem mesmo mais que a adoração do falo e sê-los o próprio. É aprovável que Freud explique tal comportamento.

Mas o que menos me interessa aqui são os comportamentos e desejos políticos enrustidos de algumas pessoas. Importa-me, pelo momento, mostrar que a desinformação e, sobretudo, o ato de desinformar também pode cumprir uma função política. É o que os bajuladores fazem, pelo simples interesse de lamber botas ou por interesse políticos não confessados.

Eu não vou desqualificar o trabalho do senador Pedro Taques. Longe disso. Eu torçopara que ele trabalhe mais do que faz, que acerte cada vez mais e cresçapoliticamente. Ganharemos todos, Mato Grosso e o Brasil.

Taques poderia ser umcontrapeso importante no cenário estadual e nacional. Mas não o é. Espero que por enquanto. Minhas reticências em relação a ele se referem à postura política-ideológica (que começa a se refletir nitidamente na CPMI do Cachoeira)e não na quantificação de suas propostas de emenda constitucional e projetos de lei.

Mesmo assim, se a quantificação se sobrepõe à qualificação, não seria justo desprezar tudo que se fez antes de Pedro Taques e apresentá-lo como “pai da criança” e “farolque guiará o povo...”.

Antes, muito antes de Taques, por exemplo, o senador Renato Casagrande, hoje governador do Espírito Santo, já havia proposto um grupo de trabalho para analisar propostas de revisão do Código Penal Brasileiro. Este tema está em discussão há muitas décadas e ganhou fôlego depois da Constituição de 88, portanto, 24 anos de Taques sentar-se numa cadeira da Câmara Alta.

Não se pode afirmar ainda que antes de Taques Mato Grosso não tinha representação à altura e nivelar todos os nossos parlamentares como “pegos com a mão na massa”. É desprezar toda a história da presença mato-grossense no Congresso Nacional brasileiro e as contribuições que muitos deles, ilustres, que deram à vida social, econômica e política nacional, independente de partidos e posturas ideológicas.

Poderia aqui desfilar uma relação enorme de nomes importantes de parlamentares mato-grossenses que nos honraram com suas presenças em Brasília. Mas vou fazer justiça a apenas dois deles que estão lá agora e formam a bancada de senadores junto com Taques.

É necessário antes situar minha posição em relação aos senadores Blairo Maggi e Jayme Campos. Não morro de amores politicamente por nenhum deles. Do ponto de vista político-ideológico são dois homens que não nada me agradam. Como cidadão tenho ressalvas em relação aos seus governos e posturas diante do parlamento. Mas nem por isto eu posso deixar de reconhecer que são dois grandes quadros da política de Mato Grosso e do País, assim como o é Pedro Taques.

Qual é o problema então? A questão é que nunca nutri nenhuma ilusão por Blairo e Maggi. Sei o que são e eles nunca escondem suas posturas políticas eideológicas. Eles são honestos comigo e com o povo que o elegeu. Suas condutas no Senado refletem o que eles são como pessoas e como pensam. Em breve vamos tratar deles por aqui.

Medeiros menciona o prêmio concedido pelo site Congresso em Foco, considerando Taques umdos melhores parlamentares do ano, “prêmio este que jamais seria concedido a alguém que atuasse no ‘varejinho’".

Quero só a título de informação - e longe de entrar no mérito - lembrar que o mesmo site concedeu igual prêmio a ninguém mais ninguém menos que a um DemóstenesTorres.

Agora, por fim, o que mais me causa crise de risos não são os deslumbres do suplente de senador, mas os seus devaneios. O caro insiste em identificar que meus textos trazem nas entrelinhas uma conspiração contra os planos políticos de seu titular, insinuando que eu estaria a serviço de algum opositor de Taques.

Em seu último texto ele nos brinda com esta pérola: “Pode ser só um ‘zumbido’, mas começo ouvir o sussurro da ‘voz rouca das ruas’. Pedro Taques pode ser um zero a esquerda [grifo meu], tomando-se como referência ‘o padrão de medida nacional’, mas pode também ser o farol que guiará o povo à DERRUBADA DA BASTILHA [o grifo é dele!] e à instituição de um novo padrão de referência.”

Devaneio puro. É mole ou querem mais? Deixo que ele continue sozinho. A vida segue. Mas nada me impedirá que, sendo oportuno, retorne ao assunto.

blog: http://joaonegrao.blogspot.com.br/

João Negrão é jornalista em Cuiabá. E-mail: jotanegrao@gmail.com

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