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Auro Ida
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Terça, 28 de dezembro de 2010, 19h35

Zaque, personagem do teatro de Pérsio Briante

O impoluto, o destemido e inteligente promotor Mauro Zaque é o principal personagem no "teatro" montado pelo empresário Pérsio Briante, dono da empresa Extra Caminhões, representante da Ford em Cuiabá, no caso dos maquinários adquiridos durante o governo Maggi. Competente e esperto, ele montou um cenário em que seria o grande beneficiado e MPE embarcou no seu barco, navegando por águas não tão límpidas, sendo seduzido pela "delação premiada".

Confesso que fiquei fã do Persinho, como é conhecido. Já tinha ouvido falar dele, da sua ousadia, da sua coragem em desafiar o "status quo". Só não sabia que era capaz de envolver o MPE e, principalmente, o zeloso Mauro Zaque. Vamos aos fatos.

A ação civil pública apresentada pelo digníssimo promotor propõe o indiciamento dos ex-secretários de Infraestrutura, Vilceu Marchetti, de Administração, Geraldo de Vitto, dos demais empresários e de funcionários menos graduados, é baseado apenas na delação premiada feita por Pérsio Briante. O promotor não conseguiu outras provas. Algum "inteligente" tem dúvida de que só falou o que interessava a ele próprio?

O depoimento (a delação) foi cuidadosamente preparada para evitar alguns "embaraços" e para, digamos, ter uma "janela" para qualquer eventualidade. Pérsio Briante diz que não deu nenhum centavo, mas que foi procurado pelos ex-secretários. Zaque acreditou piamente que os demais empresários "devolveram" dinheiro para os ex-funcionários públicos e, por isso, pediu o indiciamento dos mesmos.

Alguns deles, já devolveram aos cofres públicos, segundo informações, mais de R$ 8 milhões, que teriam recebido a mais devido ao pagamento de juros, quando a compra foi feita a vista. Pérsio Briante se recusou a devolver recursos, porque não havia nada de ilegal. Mas mesmo assim, se também foi beneficiado, por que não foi indiciado por Zaque? Por que entregou os demais empresários? Só pode ser isso.

O promotor "perdoou" toda irregularidade que teria - veja bem, teria - sido praticada pelo empresário como o padre perdoa os pecados dos seus fiéis. Ou seja: se Persinho participou do esquema, não vai precisar devolver um centavo aos cofres públicos. É a mesma coisa que um bandido venha a confessar que roubou, junto com a sua quadrilha, um banco, por exemplo, e vai ficar solto com o resultado da ação criminosa ao delatar os seus companheiros. É o fim da picada.

Apenas o juiz é que deveria determinar se, devido a importância da informação prestada pelo empresário, se teria ou não redução de pena, caso seja comprovada a irregularidade. E, com certeza, teria que devolver aos cofres públicos o que recebeu a mais.

Mauro Zaque ainda pediu o indiciamento do ex-governador e senador eleito, Blairo Maggi. Foi o próprio Blairo, que ao receber a denúncia de irregularidade, encaminhou a Auditoria Geral e, posteriormente, ao MPE (isso já no governo Silval). Ele tomou as providências que cabia e mandou apurar, de forma rigorosa, o caso. Então, por que Zaque, agora com os seus companheiros do Gaeco, que assinaram posteriormente a ação, pediu ao procurador geral de Justiça, Marcelo Ferra, o indiciamento de Maggi?
Simples. Primeiro, buscaram criar um constrangimento ao procurador geral de justiça, Marcelo Ferra, que, socialmente, convive com as demais autoridades do poder público, entre elas Blairo Maggi e o governador Silval Barbosa. Segundo, porque, caso seja aceito, o processo sobe para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso irá demorar anos e anos para andar e servirá para mote de campanha para tentar eleger, em 2014, o senador eleito PedroTaques (PDT), governador de Mato Grosso.
Eles querem deixar o caso na pauta até lá, entendendo que o fato vai beneficiar o ex-caçador de criminosos e agora caçador de políticos corruptos. Vou pagar para ver.

Depois disso, quero dizer ao promotor Mauro Zaque. Não precisa mandar recados que vai me processar e tudo mais. Não tenho nenhum receio dos seus recados. Ao contrário. Me motiva mais. Acho justo que queira esclarecer os fatos e é, também, do meu interesse colocar os pingos nos is.

Não sou paladino da moralidade, justiça seja lá o que for. Mas jamais vou titubear para colocar o que penso. Não gosto de ações pirotécnicas, que só servem para alimentar a mídia, como se tudo não passasse de picadeiro de circo. De prático para sociedade, quase nada.

Como já disse, não é filho de pai assustado. Digo, então, que sou filho de um pai que sofreu todas as feridas da segunda guerra mundial, viu o seu país arrasado pela bomba atômica, e, mesmo assim, jamais deixou de acreditar no próximo e manter a sua dignidade. Não me venha, então, mandar recados. Passar bem.
 

é jornalista em Mato Grosso, com mais de 20 anos em editorias de política.
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