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Quinta, 22 de julho de 2010, 19h12

Quebrando o encanto

O ex-prefeito de Terra Nova do Norte, Milton Toniazzo, resolveu deixar o DEM após 25 anos de filiação partidária, onde militava desde a época em que a legenda era chamada de PFL. Ele tomou a decisão para ficar livre para apoiar o candidato do PMDB ao governo do Estado, Silval Barbosa, e não o ex-prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), com que os demos se coligaram, indicando o deputado Dilceu Dal'Bosco como o vice na chapa majoritária.

Toniazzo vai apoiar os candidatos ao Senado do PR, Blairo Maggi, e, como segunda opção, o do PSDB, Antero Paes de Barros. Não vai empunhar a bandeira do ex-deputado Jorge Yanai, lançado pelo DEM. O único candidato demo que vai apoiar é o ex-govenador Júlio Campos, que se lançou candidato a Câmara dos Deputados.

A sua decisão mostra duas questões importantes. A primeira é que a maioria dos demos não conseguiu engoliar a candidatura de Wilson Santos ao governo do Estado e, segundo, que a dobradinha Maggi e Antero está se tornando uma realidade, apesar do republicano ter companheiro de coligação do petista Carlos Abicalil. Já o tucano deveria dobrar com Yanai.

O encanto dos demos em relação a Wilson Santos não passou de chuva de verão. Mal começou a campanha e uma parte do partido começa a abandonar o barco do galinho. Alguns prefeitos do DEM ainda não oficializaram apoio a Silval Barbosa com medo de serem considerados traidores e o partido pedir, dentro da fidelidade partidária, a cassação de seus respectivos mandatos.

Além de prefeitos, dezenas de vereadores demos não estão se sentindo a vontade no ninho tucano. Eles também não debandaram com medo da reação da direção do DEM. O presidente regional, Oscar Ribeiro, tem conversado, pressionado, para tentar a unidade do partido em torno da candidatura de Wilson Santos. Nesta semana, conversei com um prefeito do DEM (não quer ter o seu nome revelado) que me confessou o desconforto na obrigação de apoiar o tucano.

Segundo ele, uma parcela ponderável do DEM está engolindo a candidatura de Wilson Santos em razão do respeito com a liderança do senador Jaime Campos e alguns com medo de serem expulsos e perderem os mandatos. De acordo com Toniazzo, a aliança foi um erro e, apesar do respeito e admiração que tem por Jaime Campos, não poderia ficar no palanque da aliança.

"Nesse momento, é que a gente sente como o senador Jonas Pinheiro faz falta", diz. O galinho sabe que precisa, com urgência, ganhar folêgo nas pesquisas para segurar a porteira do DEM. Do contrário, mesmo com sob a cunha da expulsão, será difí­cil segurar a debandada.

Em relação a dobradinha Maggi\Antero, não acredito em acordo de bastidor. O certo é que uma parte, talvez, majoritária, da cuiabania vai votar na dupla, primeiro pelo fato do ex-governador ter feito muito por Cuiabá e, segundo, porque o ex-senador é filho da ter ra. É reconhecimento, de um lado, e tradição, de outro.

O empresário Toninho Domingos, irão do prefeito de Várzea Grande, Murilo Domingos (PR), é um dos que defende a dobradinha. Ele já informou os dois do seu voto. Assim, conheço muita gente que defende a mesma idéia.

Por isso, como as pesquisas mostram, Blairo Maggi e Antero Paes de Barros são favoritos para ficarem com as duas vagas de Mato Grosso no Senado Federal. Os demais candidatos precisam, com urgência, quebrar essa situação, que está se consolidando naturalmente, sem uma ação polí­tica trabalhada.
 

é jornalista em Mato Grosso, com mais de 20 anos em editorias de política.
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