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Luiz Gonzaga Bertelli
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Terça, 29 de junho de 2010, 12h35

Lazer com responsabilidade

Pela definição de dicionário, lazer é o tempo que sobra do cumprimento de obrigações, trabalho ou estágio,  aproveitável para o exercício de atividades prazerosas.

Uma pesquisa do CIEE identificou como os estudantes têm gastado esse precioso tempo livre: 49% ficam em casa conversando com amigos, assistindo a filmes ou mexendo no computador; 32% preferem ler livro, revista ou jornal, e 14% vai a cinema ou teatro. Os 5% restantes fazem compras em shopping ou passeiam por lugares da moda, em busca do que de mais interessante está acontecendo em suas cidades.

Como esta coluna costuma ser um espaço de aconselhamento para os jovens que estão começando a construir carreira, o leitor poderia esperar uma crítica ao comportamento daqueles que deixam de lado as fontes de informação tradicionais, preferindo passar o tempo livre com opções mais descompromissadas. Hoje, entretanto, vamos adotar uma abordagem um pouco diferente; afinal, os estudantes têm clara preferência pelas artes audiovisuais. Os números não negam.

A dica, então, é aprimorar a seleção dos filmes que ocupará as horas de lazer para o jovem adquirir a formação humanística que possa colocá-lo alguns passos à frente na disputa pela tão sonhada vaga de estágio ou mesmo de emprego. Isso porque a cultura traz consigo uma série de bem-vindos efeitos colaterais, tais como maior capacidade analítica e melhor expressão oral e escrita. 

Em vez dos arrasa-quarteirões da temporada, por que não dar chance a produções fora do circuito comercial e que também estão disponíveis em DVD? Um bom ponto de partida são os vencedores do Oscar de melhor filme estrangeiro. O ritmo dos filmes é diferente e os atores, pouco conhecidos, mas é preciso insistência. Não raramente, uma película que parece chata num primeiro momento, guarda cenas de extrema sensibilidade e conta histórias que nunca encontrariam espaço no cardápio de explosão de violência, comédias besteirol ou romances açucarados que marcam a safra hollywoodiana dos últimos tempos.

O mesmo vale para a navegação na internet. Convém diversificar a lista de favoritos, buscando sites que possuam informações mais qualificadas e possam fazer diferença na formação do internauta. O lazer é indispensável para a higiene mental, mas isso não quer dizer que as horas de diversão não possam ser usadas em benefício próprio. O tempo, mesmo o livre, deve ser usado com responsabilidade.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), e diretor da Fiesp
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