Cuiabá | MT 01/12/2021
Enildes Corrêa
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Segunda, 28 de fevereiro de 2011, 10h51

A tradição do chá zen

“Você precisa ir para si mesmo e não para alguém ou algum lugar. Você tem que somente encontrar a si próprio. Sente-se consigo mesmo. Somente relaxe, sem querer mudar nada, sem querer melhorar ou alcançar alguma coisa. Seja gentil consigo. Diga sim para si mesmo. Apenas tenha algum tempo para si”. Kiran Kanakia

 

“Tente entender o Zen através do riso, não através da oração. Tente entender o Zen através das flores, das borboletas, do sol, da lua, das crianças. Aprecie todo esse panorama de vida, todas essas cores, todo o espectro. [...]

 

Zen não é uma doutrina, não é um dogma. É uma visão. Zen pode ajudar a abrir os seus olhos. Ele pode ajudar a sentir novamente, a ser sensitivo à realidade. Zen pode lhe dar olhos e orelhas. Ele pode lhe dar uma alma”. Osho

 

De vez em quando, as pessoas perguntam-me sobre a tradição oriental de tomar chá. Achei interessante trazer para o leitor a origem do costume narrado por Osho em seu livro The Grass Grows by Itself:

 

O chá é um símbolo Zen, o qual significa consciência, porque o chá torna você mais alerta, mais consciente. O chá foi inventado pelos budistas, e por séculos eles o têm usado como um auxílio à meditação. E o chá ajuda.

 

Conta-se que Bodhidharma estava meditando em certa montanha da China chamada ‘Ta’. De ‘Ta’ vem o nome ‘chá’. Essa montanha podia ser pronunciada como ‘Ta’ ou como ‘Chá’; é por isso que na Índia o chá é chamado ‘chai’ ou ‘chá’.

 

Bodhidharma estava meditando e ele era realmente um grande meditador. Gostava de meditar por dezoito horas, mas isso era difícil. Muitas vezes sentia-se sonolento, suas pálpebras fechavam-se repetidamente. Assim, ele cortou suas pálpebras e as jogou longe. Agora, não havia qualquer possibilidade de fechar os olhos.

 

A história é linda – aquelas pálpebras tornaram-se as primeiras sementes de chá, e uma planta nasceu delas. Com essa planta, Bodhidharma preparou o primeiro chá do mundo, e ficou admirado ao perceber que, se pegasse as folhas e as bebesse, podia permanecer alerta por períodos mais longos. Assim, por séculos, as pessoas que praticam Zen bebem chá, e o chá se tornou algo muito, muito sagrado.

 

E Osho nos faz esta sugestão: “Toda vez que você perceber que está agindo inconscientemente, pare. Não seja um robô. Não aja a partir do ego. Tome uma xícara de chá. Acorde – e então aja com consciência”.

 

As paradas que interrompem a rotina da pressa, a qual a nossa sociedade está submetida, são vitais para o restabelecimento da ordem interna e da clareza de visão. Nas pausas, adquirimos fôlego novo para seguir adiante, em condições de tomar decisões mais assertivas, com menos desgaste.

 

No entanto, muitos pensam que “parar” é perda de tempo. Há tantas coisas a fazer que não dá para efetuar pequenas pausas no transcorrer do dia e permanecer alguns minutos sem fazer nada. E correm mais e mais, frequentemente sem sequer notar por onde andam. Na maioria dos casos, as pessoas alienam-se de si mesmas, desconectam-se da realidade interna e externa, adoecem em nível físico, mental e espiritual, sem perceber as oportunidades ímpares na solução de problemas que, às vezes, estão a causar inúmeras tensões e noites de insônia.

 

Em estado de tensão e angústia, saem à procura de velhas soluções para novos problemas. Se tivessem se permitido repousar dentro de seus próprios seres, olhar com atenção e relaxamento ao seu redor, teriam encontrado soluções inovadoras e criativas disponíveis, inclusive, no próprio caminho que percorrem apressadamente, sem tempo para parar e saborear, por exemplo, uma xícara de chá.

 

As palavras do meu pai, Sr. Hélio Corrêa da Costa, vêm-me à memória: a tranquiidade vem do céu. Se você está tranquilo, você vê o ponto certo. O desespero vem da inconsciência da pessoa. Na vida, precisamos ter calma. Do silêncio vem a melhor resposta”.

 

No SOL – Centro Integrado de Autoconhecimento, espaço de terapias indianas em Cuiabá, temos o costume de oferecer aos amigos que nos visitam uma xícara de chá. Terminei de escrever este texto, vou fazer uma pausa e apreciar uma xícara de chá. E você, caro leitor, acompanha-me?

BENEDITA ENILDES DE CAMPOS CORRÊA é Administradora e Prof. de Yoga. Ministra seminários vivenciais às organizações governamentais e privadas.
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