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Sexta, 08 de junho de 2012, 15h51

O bem, o ético, o moral e o justo

Nossa história está repleta de grandes batalhas entre o bem e o mal, e também, entre os bons e os maus. Isso, desde que descemos das árvores e iniciamos nossa ereta caminhada de dominação sobre todas as outras espécies. E tem sido essa a nossa grande dicotomia.

E essa grande divisão, entre anjos e demônios, nos leva a discussões eminentemente éticas e morais, com perguntas fundamentais tais como: (i) é possível identificar de qual lado está a nossa ação cotidiana? (ii) O bem é ético, moral e justo?

Para Sócrates os homens justos são imortais e divinos. Então, segundo o grande mestre grego, os justos, por serem divinos, estariam lutando do lado do bem? Ele ainda nos dá outra contribuição, pedindo para que não pensemos mal dos que procedem mal, pediu que somente pensássemos que eles estariam simplesmente equivocados. Então, a ação do mal seria apenas uma ação equivocada? Nesse tirocínio, o mal não seria algo intrínseco ao ser humano? Pessoalmente, prefiro pensar que os maus estejam mesmo apenas equivocados, pois daqueles maus que eu conheço, todos, são realmente grandes equivocados, quero crer.

Para continuarmos no raciocínio, lembremos, entretanto, que nem sempre o que é justo é licito, e nem sempre o que é licito é justo. A legalidade de uma ação não tem necessariamente nada a ver com a sua justeza moral ou ética. No Brasil, muito ao contrário, pois que as leis têm sempre um viés de dominação, portanto, de grande injustiça. Lógico, pelo pressuposto de que dominação equivale à injustiça, posto que faltar-nos-ia a dimensão de subjetividade que caracteriza o ato livre e autônomo. Sem, no entanto, nos apegarmos muito à moral racional de Kant nem à moral transvalorada de Niezsche.

Sem pretender, obviamente, esgotar o tema, então, atalhando caminhos, é razoável igualarmos o justo ao ético e ao moral que estariam todos do lado do bem. Desta forma, se considerarmos ainda que a moral é a síntese da construção dialética cultural de um povo, na lógica de Marx, em que o que é lícito em uma determinada sociedade pode não ser em outra, assim, podemos concluir que: o que é justo é moral e ético, e, portanto, se encontra do lado do bem.

Isso simplifica um pouco nosso entendimento sobre nossas ações no dia-a-dia, bastando, para saber se estamos sendo éticos e morais, sabermos se estamos sendo justos.

Assim, ficou fácil saber de qual lado estão alguns equivocados que conhecemos e que se acham os verdadeiros paladinos da moralidade, bastando identificar a justeza:

1. Dos que ganham legalmente uma licitação para construir um simples viaduto, cobrando por ele o mesmo valor (60 milhões de reais) de um prédio de alto padrão com 60 andares - de um apartamento por andar - cujos apartamentos estão avaliados, cada um, por exemplo, em R$ 1.000.000,00. Para teremos uma idéia do absurdo cobrado por esses viadutos, basta que imaginemos que se esse edifício de apartamentos de luxo fosse deitado sobre o solo, com seus cerca de 240 metros, quase o mesmo comprimento desse viaduto de 60 mil., estaríamos então, circulando com nossos veículos por cima das mesmas estruturas de aço e concreto, mas que no caso do edifício deitado, estariam recheadas de banheiras de hidromassagem, vidros Blindex, pisos de mármore, louças e esquadrias de primeira linha, etc. Onde estão os Tribunais de Contas, por Deus!

2. Dos advogados que cobram milhões para patrocinar grandes criminosos, recebendo, quase sempre, o mesmo dinheiro roubado do poder público (lavando-os, invariavelmente) e que falta na educação, saúde e na própria instrumentalização da segurança pública e justiça, primeira e última, responsáveis pela acusação e condenação desses mesmos bandidos. E nesse passo é importante não engolir a falácia, com que Márcio Tomaz Bastos (Tendências e Debates, Folha de São Paulo, 29/05/2012) e seus vis defensores, quando mencionam o código de ética que diz que "É direito e dever do advogado assumir a defesa criminal, sem considerar a sua própria opinião sobre a culpa do acusado". Nesse texto não é mencionado o direito e o dever do advogado de explorar as fragilidades alheias, extorquindo-lhes as últimas economias. É importante desmistificar que: isso, de extorquir o cliente, não é ensinado em nenhuma faculdade de Direito que se preze e nem que o Advogado deve defender seus patronos utilizando-se de todos os meios, até mesmo os imorais. Isso faz parte apenas da ética dos maus!

3. Dos médicos que cobram, individualmente, R$ 750.000,00 para realizar uma única cirurgia de 5 horas para salvar uma vida, ou seja, R$ 150.000,00 por hora. Não há nenhuma necessidade de explicar o quão absurdo é isso!

4. Dos mecânicos, donos de oficina, práticos, etc., que realizam orçamento muito além do defeito e cobram valores muito além do razoável por seus serviços, muitas vezes enganando seus clientes acerca do real defeito encontrado, para sobrevalorizar seus serviços. E o terrível nisso é esses juntamente com os médicos e advogados que praticam o mesmo com seus clientes, são os primeiros à reclamar acintosamente desses abusos, quando as vítimas são eles mesmos.

5. Enfim, de todos os empresários e profissionais liberais que diante da fragilidade de seus clientes abusam da falta de ética profissional para maximizar seus lucros. E desgraçadamente, são todos esses os que mais reclamam da corrupção política que graça no país. Puxe essa conversa com qualquer um deles, enquanto tiver sendo extorquido, e constate o quanto de impropérios se ouvirá deles em relação aos políticos. Como podem falar dos políticos com os cofres recheados de dinheiro sujo?

Mas não é só nas relações políticas e econômicas que temos os lobos transvestidos de paladinos da moralidade e da “competência”, pois ainda temos que aturar os generais de pijama, como o General Bini (Tendências e Debates, Folha de São Paulo, 05/06/2012), que ainda insistem que a Comissão da Verdade deve apurar também os crimes cometidos pelos opositores da ditadura, como se isso já não tivesse sido feito pelos militares. Muitos desses opositores, inclusive, foram presos, torturados, julgados e condenados até a pena capital, sem terem todo direito à defesa. E pergunta-se ao general: quantos militares foram presos, torturados e condenados pela ditadura por crimes de tortura, sequestro e homicídio?

Sem falar nos jornalistas que recebem para escaramuçar todos esses aí, por um bom trocado no final das festas e eventos.

Em resumo, fiquem ricos e impunes! Mas saibam que sabemos de que lado vocês estão, e, não pensem que somos idiotas, para que nos convençam do contrário! 

Adamastor Martins de Oliveira - Cidadão de Mato Grosso e-mail: adamastorm@yahoo.com.br
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