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Gabriel Novis Neves
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Quarta, 04 de julho de 2012, 22h10

Reforma no governo

Os jornais dão destaques às reformas no governo do Estado.
Sabios editores. Se não colocassem em letras garrafais a saída de alguns secretários para disputar as eleições de outubro próximo, ninguém sentiria a ausência deles.

Nunca, jamais, na história deste Estado vi, em início de governo, um secretariado tão desanimado e desestimulado como o atual.

Talvez esse envelhecimento precoce seja um grave efeito colateral do mandato de oito anos - com a continuidade do mesmo grupo no poder.

Cinco anos seriam o ideal, e a reeleição de quem ocupou o mandato de cargo executivo maior nas esferas federal, estadual e municipal, deveria ser vetado por lei, sem direito a recurso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O replay nesses cargos vem com uma carga forte de frustração, desmotivação e inflação do ego.

É a lua de mel de um casal mais velho, com muitos filhos e netos. No repique de quatro anos não conheço ninguém no Brasil que não tivesse saído com as vestes respingadas pela poeira de fatos inexplicáveis. Imagine com a prorrogação.

A rotatividade do poder faz bem à nação e mal à vaidade dos homens, agora mais “experientes” e compensando perdas fisiológicas com demonstrações de saúde autoritária.

Veja a reação do ex-presidente que, ditatorialmente, impôs um candidato pesadíssimo para disputar a prefeitura de São Paulo.

Meses atrás não conseguiu agregar nenhum partido para a refrega de outubro e, diante da perda do apoio do partido do Tiririca (um milhão e meio de votos para deputado federal), o velho metalúrgico, aborrecido, disse que sairia candidato para não deixar um tucano ganhar e para demonstrar quem manda neste país.
Agora respirou melhor com o apoio do chefe doutor Paulo Maluf.
O efeito Lula-Maluf, constrangeu a ex-prefeita de São Paulo pelo PT, Luiza Erundina hoje deputada federal pelo PSB.
Era a escolhida para ocupar o cargo de vice prefeito nas eleições deste ano, na chapa do menino do Lula.
Cena constrangedora e desnecessária, que chocou a todos que tem neurônios pelo conjunto da obra.

Sem poder, mensalão para ser julgado em agosto, recuperando-se de um período no Sírio Libanês e beirando a terceira idade, deveria ter um melhor cuidador.

Na política não temos amigos, e sim, aproveitadores, negociadores e oportunistas.

A reforma no governo do Estado nada mais é que a partilha atualizada dos bens políticos, bastante diferente daquela de 1º de janeiro de 2011.

Em bom português, é o famoso toma lá dá cá, sem o qual não vivem os nossos políticos. Com novos passageiros, teleguiados por novas forças, o barco continua a navegar sem nenhuma possibilidade de transformação na sua rota.

Apenas alguns novos inquilinos, atenderão por outro nome.

Os incentivadores da reforma têm toda a razão em querer mudanças na tripulação, pois a navegação não está tranquila e eles não poderão assumir de graça os ônus de um Estado falido, sem dinheiro, que abandonou o interior para participar da festa da Copa.

Como assumo que tenho mais passado que futuro, sinto uma tristeza em constatar o meu Estado, a cidade em que nasci e fui educado, viver um presente que não merecia.

Vejo o poder quase em pesadelo, tratando o nosso Estado como mercadoria em um grande balcão de negócios, ante o silêncio e o desinteresse de gerações.

Não há culpados, e sim, promiscuidade e cumplicidade, próprias do sistema que escolhemos como forma de governo para alguns.

E que venham as reformas para as manchetes dos jornais! 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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