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Sexta, 13 de julho de 2012, 15h48

Grande, porém desigual

O estado de Mato Grosso já ganhou fama mundial por ser altamente produtivo no setor agrícola e de carnes. Seus produtos passam nos testes mais rigorosos dos mercados consumidores mais exigentes do mundo. A carne de um boi ou de um suíno criado em fazendas daqui chega à mesa do europeu e do asiático tão saudável e deliciosa quanto a que você, que mora aqui, experimenta nas churrascarias.

Do mesmo modo, a soja, o milho e o algodão que produzimos ganham prêmios de qualidade mundo afora, não sendo à toa que estejamos batendo recordes de produção e de venda.

Todo esse sucesso, porém, esconde a dura realidade da absoluta maioria dos produtores rurais de Mato Grosso. Falo de mais de 140 mil famílias de pequenos proprietários, que trabalham tanto quanto os grandes produtores para oferecer ao mercado produtos de qualidade, mas simplesmente não conseguem crescer porque esbarram na burocracia.

Um grande produtor tem cacife para ir à Rússia, à China, ou ao Oriente Médio, para estudar o mercado, adequar-se às legislações locais, receber comissões de inspeção e até mudar parques industriais só para atender um tipo específico de consumidor.

Já o pequeno produtor de leite, por exemplo, simplesmente não pode vender queijo além da feira de sua cidade, por melhor que seja esse queijo. Se quiser vender para um supermercado, não pode.

Isso acontece na maioria dos municípios do estado, onde não há órgãos de inspeção. Não tendo passado por inspeção, os produtos são ilegais – e sendo ilegais, não podem ir para as prateleiras. Simples e trágico. Milhares e milhares de famílias condenadas a continuar vendendo leite, goiaba e suíno pelo preço que o mercado paga. Pois se quiserem vender queijo, doce e salame, estão impedidos.

É preciso que o Governo do Estado e os municípios dêem uma resposta rápida a esse problema. Fomentar as pequenas agroindústrias pode ser a salvação da lavoura para esta e para as próximas gerações de milhares de famílias do campo. Sozinhas, elas não fazem a diferença. Mas, somadas, elas representam o futuro econômico do estado de Mato Grosso.

Nosso estado tem que continuar sendo grande aos olhos do mundo, mas precisa começar a deixar de ser desigual com a sua própria população. 

Zeca Viana é deputado estadual e presidente do PDT em Mato Grosso
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