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Gabriel Novis Neves
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Sábado, 14 de julho de 2012, 09h08

Comportamento

Não sei a origem deste problema. É impressionante como a nossa sociedade pune o prazer. Basta alguém demonstrar prazer, especialmente em uma relação afetiva para ser condenado pelo desprezo, na maioria das vezes.
A nossa cultura é muito rigorosa, diante da felicidade das pessoas. O seu nível de aceitação quando reconhecido, vem envelopado com uma série de reprovações, as mais pueris possíveis.
Expressões chamadas de chulas hoje fartamente circulando nos salões mais sofisticados da cidade, como sinal de desaprovação deveria significar ‘estado de graça’.
O famoso, estar f. dizemos para descrever uma pessoa fracassada, desmoralizada, em sérias dificuldades geralmente financeiras.
Está embutida nessa frase, nada mais que um enorme preconceito contra o prazer, pois quem está f. na verdade está é muito feliz da vida, que me perdoem os falsos moralistas.
Como empregamos sem censura a palavra babaca! São os supostos idiotas, "bestas humanos", ignorantes, desantenados e agora diante do novo Brasil, - os honestos.
Honesto é babaca, para grande parte da população, e inaceitável no mundo político.
Não é preconceituoso e pejorativo ‘xingar’ alguém de babaca, que representa a casa de diversão da humanidade?
Os exemplos estão na nossa base cultural e uma vez enraizada no ideário popular, determinam o nosso comportamento difícil de ser eliminado.
Temos dificuldade em aceitar o prazer. Homenageamos os fracos, que sucumbem ao medo de procurar e aceitar o prazer como fenômeno biológico, e não transtorno comportamental.
Será tão difícil derrotar essa dificuldade que acredito ser adquirida, em aceitar o prazer como prêmio e não pecado?
Lord Byron definiu o prazer como um pecado e, disse que algumas vezes pecar é um prazer. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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