Lá se vão os tempos em que a figura paterna era construída no âmbito familiar para ser muito mais respeitada e temida do que amada.
Nas últimas décadas esses preconceitos foram sendo destruídos, dando lugar a uma geração de pais presentes, afetuosos e participantes na criação de sua prole.
A enorme distância que separava o pai de seus filhos fabricava adultos que durante séculos vieram repetindo esse modelo neurótico e assim privando a organização da família de uma forma mais democrática e enriquecedora, em que os filhos pudessem realmente conhecer e amar a pessoa responsável por grande parte de sua futura personalidade.
Com isso, se perderam gerações e gerações que realmente foram impedidas desse elo tão importante da afetividade e que, com certeza, as teria transformado em seres menos agressivos, menos competitivos, menos consumistas e muito mais comprometidos com os verdadeiros valores humanitários baseados na solidariedade e no amor.
Felizmente esses comportamentos vêm gradativamente sendo substituídos, desconstruindo aquela figura repressora que era o pai antigo onde o diálogo franco com os filhos era impensável.
Que surja urgentemente esse ser que consiga fazer com que as emoções possam aflorar livremente, e que conhecer verdadeiramente o nosso pai se torne o objetivo primordial.
Só se ama quem realmente se conhece, e não, aquele ser idealizado durante toda a vida e baseado em valores inatingíveis.
Somente uma conscientização e uma reflexão permanentes podem acabar com esse círculo vicioso, o que para o bem da humanidade, vem acontecendo rapidamente.
Tudo mais que venha apenas exacerbar datas comemorativas, não passa de pura exploração comercial.
Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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