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Economia
Quarta, 01 de setembro de 2010, 16h34
Minério

Silval Barbosa anuncia a descoberta do 'pré-sal' de Mato Grosso


“Esse é o nosso pré-sal”, enfatizou o governador Silval Barbosa ao finalizar o anúncio da descoberta de depósitos de fosfato e minério de ferro na região Oeste de Mato Grosso. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (01.09) no Salão de Reunião Governador José Garcia Neto, no Palácio Paiaguás. Os trabalhos de pesquisas começaram no governo de Blairo Maggi.

O depósito de ferro é estimado em 11 bilhões de toneladas, com teor de 41%. Para entender a dimensão dessa descoberta, Carajás tem 3 bilhões de toneladas. O depósito de fosfato é cerca de 428 milhões de toneladas, com teor de 6%. Mato Grosso consome atualmente 610 toneladas/ano. O depósito equivale, portanto, a 700 anos de consumo do Estado de Mato Grosso. Apesar da sua importância, a jazida de Mato Grosso tem o teor de ferro inferiror aos demais projetos brasileiros, como o da Vale, em Carajás que possui 67% de teor de ferro.

O dois depósitos estão localizados no município de Mirassol D’Oeste (288 km da Capital, Cuiabá), próximo da fronteira com a Bolívia.  “Essa é a boa notícia”, disse o governador Silval Barbosa. “Mato Grosso nos surpreende a cada dia”.

Há mais de 5 anos, quando o governo de Mato Groso iniciou a preocupar com o abastecimento de fosfato para a agricultura do Estado o governo Federal iniciou o programa Fosfato Brasil, através da CPRM – Serviço Geológico do Brasil, e Mato Grosso foi o primeiro Estado da União a aderir ao programa e o este foi o resultado. O relatório preliminar mostra uma área de 43 km2, apresentando porte internacional, pela quantidade e pelo teor do bi-fosfato-ferro.

Rui Prado, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), ressaltou a importância do anúncio levando em consideração o fósforo, que é um dos ingredientes do NPK, elemento macro da produção de grãos na região. Tratam-se dos adubos à base de Nitrogênio (N), Potássio (K) e Fósforo (P), que Mato Grosso pode passar a produzir. "O Brasil consome fósforo importado até de Israel. Com essa descoberta o Estado deixa de ser importador e passa a ser exportador", afirmou. Rui Prado diz que a agricultura de Mato Grosso vai economizar R$ 400 milhões na agricultura por ano. “Se essa descoberta tivesse acontecido 10 anos atrás, nenhum produtor estaria endividado”, garante. Quanto a pecuária, além da economia em torno de R$ 200 milhões/ano, Mato Grosso vai poder recuperar toda área degradada pelas pastagens, tendo um ganho ambiental sem precedente, ao mesmo tempo em que vai aumentar geometricamente a produção de carne.

O governador Silval Barbosa disse que a segunda fase será a de buscar empresas que queiram beneficiar esses minérios e se instalar no Estado, gerando emprego e renda. Aliado a notícia do “pré-sal” de Mato Grosso, o governador informou ainda que, tinha recebido em seu gabinete os diretores da Fast Food (Sadia-Perdigão) que foram informar a expansão das plantas de produção no Estado. E pediu que o governo indicasse municípios que precisam de investimento para se recuperarem economicamente.

Silval Barbosa também anunciou que Mato Grosso passará a assumir os estudos de viabilidade econômica com a desistência da empresa América Latina Logística (ALL) no direito de concessão da ferrovia Ferronorte, entre Rondonópolis-Cuiabá; Cuiabá-Belém.

Participaram do evento, o secretário de Indústria, Comércio e Mineração, Pedro Nadaf, os secretários Chefe da Casa Civil, Eder Moraes, e da Comunicação Social, Onofre Ribeiro. O presidente e o 1º secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputados Mauro Savi e Sérgio Ricardo, respectivamente.

A mina de Carajás, considerada a maior a céu aberto no mundo, possui reservas de aproximadamente 3 bilhões de toneladas de minério. A descoberta das reservas de minério em Mato Grosso foi realizada em meio a pesquisas do governo local com o objetivo de localizar jazidas de potássio e fosfato, já que o estado é um grande produtor agrícola.

O conteúdo de ferro no minério da jazida é de aproximadamente 41%, informaram membros do governo local durante entrevista coletiva. Apesar do grande tamanho potencial da jazida, o teor de ferro é inferior ao encontrado nos melhores projetos no Brasil, como o de Carajás, da Vale, que possui 67% por cento de teor de ferro.

De acordo com o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), as reservas de minério de ferro conhecidas no Brasil até 2007 eram de 17,38 bilhões de toneladas, com variados teores de ferro.

Nos trabalhos de pesquisa em Mato Grosso, feitos em parceria com o governo federal no Programa Fosfato Brasil, também foram identificados reservatórios de fosfato de 427 milhões de toneladas.

Desafio é logística

A logística para o desenvolvimento da mineração no Estado pode ser um desafio.

O Mato Grosso, o maior produtor de soja do Brasil, já sofre para escoar sua safra por não contar com um sistema de transporte com custos competitivos.

Distante dos portos exportadores, ferrovias e hidrovias ainda precisam ser ampliadas para que qualquer produção possa ganhar o mercado internacional com menores custos.


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