Cuiabá | MT 07/12/2021
Pesquisa/Tecnologia
Domingo, 24 de outubro de 2021, 08h12

Faltam pesquisas para embasar as políticas educacionais no Brasil, afirmam especialistas


Uma das políticas de educação mais antigas do Brasil é a distribuição de livros didáticos pelo Estado, de suma importância para a estruturação do ensino básico, principalmente em pequenas cidades distantes dos grandes centros urbanos. No entanto, poucas pesquisas apontam o que funciona e o que precisa ser aprimorado nesses materiais.

Este é um, entre muitos exemplos, de como faltam pesquisas para embasar as políticas educacionais no Brasil, principalmente no ensino básico, na visão dos participantes da 5ª Conferência FAPESP 60 anos, realizada ontem (20/10) e disponível no YouTube.

“Nossa educação básica demanda reformas em muitos aspectos. Mas uma questão central é que seu planejamento e execução precisam ser muito mais embasados na ciência, nos dados, nas evidências, do que são hoje. É necessário aplicar os resultados das evidências científicas acumuladas e, ao mesmo tempo, trabalhar para ter mais informações. Portanto, a FAPESP está altamente interessada em contribuir para esse debate, apoiando propostas e projetos que visem obter esses dados, assim como ajudar a desenhar políticas públicas para aplicá-los”, disse o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, durante a abertura do evento.

A conferência teve como mediador Mozart Neves Ramos, membro do Conselho Superior da FAPESP.

O secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, contou sobre a criação da Assessoria de Evidências Educacionais no Ministério da Educação, quando foi ministro, em 2018.

O objetivo era justamente dar transparência para os dados gerados pela pasta, promover o uso apropriado das evidências e fomentar a inovação para aperfeiçoar a qualidade das políticas educacionais. No governo estadual, ele implementou o Escritório de Evidências.

“Queremos cada vez mais fomentar a geração e a utilização de evidências dentro da rede estadual, para o nosso próprio processo de tomada de decisão, tanto do secretário como de todas as áreas. O Escritório de Evidências surgiu justamente para estreitar essa relação entre a secretaria, que é formuladora e implementadora, e a academia, junto à sociedade civil, que são produtores de conhecimento”, contou Soares.

Pesquisas e indicadores

O sociólogo Simon Schwartzman afirmou que existe uma grande quantidade de informações nos sistemas de ensino que não tem sido usada para a melhoria da educação brasileira. Segundo o pesquisador associado do Instituto de Estudos de Política Econômica – Casa das Garças, no Rio de Janeiro, a existência de avaliações externas da educação e dos indicadores não deve ser um fim em si.

“Os indicadores têm problemas também, mas viver no mundo dos indicadores e de seus problemas é muito mais rico do que em mundo sem eles”, avaliou.

Para o pesquisador, muitas vezes a razão para não usar os dados gerados é que eles podem desagradar, contrariar interesses estabelecidos e percepções bastante rígidas.

“É uma batalha de ideias, que requer pessoas em posição de governo que tenham condição de entender, discutir, levantar o problema e convencer determinados setores para que as evidências que estão sendo geradas pelos indicadores tenham o impacto que gostaríamos. Temos de melhorar a qualidade, mas também a capacidade de implementar os resultados que as pesquisas mostram”, afirmou.

O neurocientista Roberto Lent, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador da Rede Nacional de Ciência para Educação, comparou o uso de evidências científicas na saúde e na área de educação.

Segundo Lent, assim como a saúde, a educação não é uma atividade improvisada e intuitiva, mas que tem de ser feita com critérios científicos. No entanto, existe uma ponte unindo ciência e saúde que ainda não foi construída no Brasil quando se trata de educação.

“Na saúde isso ficou muito bem demonstrado no momento que a pandemia nos atingiu. Isso começou depois da Segunda Guerra e os resultados são espantosos, mesmo num país tão desigual como o Brasil. A mortalidade infantil caiu vertiginosamente e a expectativa de vida cresceu bastante, modificando a pirâmide demográfica. Mas algo semelhante não aconteceu na educação”, contou.

Enquanto na saúde a pesquisa seria estimulada pelo potencial direto de aplicação, o mesmo não ocorreria na educação. As chamadas de pesquisa, por exemplo, são específicas na saúde, mas genéricas e muito menores em número na área de educação, diz Lent.

Pensando nessa questão, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e a FAPESP devem lançar em breve uma chamada de projetos de pesquisa para implementação no ensino básico do Estado, adiantou o secretário.

"O Brasil precisa aprender a fazer educação olhando para evidências. Hoje temos pesquisas importantes, mas geralmente feitas no hemisfério Norte. Temos de aproximar, por exemplo, o processo de alfabetização dos estudos na neurociência. Essa deve ser uma luta fundamental”, disse Soares.

Para assistir ao evento na íntegra acesse: https://youtu.be/yFK_A8dRddk.

Os vídeos das quatro primeiras Conferências FAPESP estão disponíveis em: https://60anos.fapesp.br/conferencias.
 
Agência Fapesp




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