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Justiça/Segurança
Quarta, 01 de setembro de 2010, 18h30

Cacique Cinta Larga é preso em Mato Grosso


Está preso em Mato Grosso o índio João Bravo Cinta Larga, acusado de permitir a entrada de garimpeiros na reserva Roosevelt, em Rondônia (foto). Segundo a Polícia Federal, o cacique e mais seis índios também são suspeitos de autorizar os garimpeiros a levarem tratores e máquinas para explorar diamantes.

João Bravo acaba de prestar depoimento na PF e por enquanto, a Funai em Mato Grosso não vai se pronunciar.

As prisões foram feitas em Mato Grosso, mas a Polícia Federal ainda não informou sobre as circunstâncias em que ocorreram as prisões. Não se sabe se as prisões foram na capital ou no interior, e nem em que local estavam os índios.

A reserva Roosevelt, uma das maiores do Brasil, se estende pelos estados de Rondônia e também de Mato Grosso. A região onde está localizada a reserva de diamantes fica na área indígena do lado do estado de Rondônia, próximo ao município de Espigão D`Oeste.

O caso da reserva Roosevelt

O caso de garimpo ilegal na área indígena em Rondônia, provocou grande repercussão nacional após o massacre de 29 garimpeiros no início de abril de 2004 na reserva Roosevelt. De acordo com investigações, os garimpeiros foram mortos pelos índios Cintas Largas. Alguns deles tiveram até os corpos queimados.

A descoberta de uma nova jazia de diamantes na região que tinha garimpeiros na área desde 2002, pode ter levado ao massacre em 2004. A informação foi de um garimpeiro que conseguiu sobreviver à chacina.

A Políca Federal e o Exército chegaram a fechar todos os acessos à aldeia Roosevelt. O objetivo era impedir a entrada de garimpeiros, retirar os que ainda estavam na área e parar totalmente o garimpo de diamantes. A reserva Rosevelt, em Rondônia é uma das maiores da região norte do Brasil e sempre foi muito cobiçada por causa das reservas de diamantes. Os índios Cintas Largas também estão entre as etnias mais gerreiras do Brasil. O estopim da confusão teria sido o encontro de uma grande jazida de diamantes perto do rio Roosevelt em 2004.

Garimpeiros disseram na época do massacre que havia um acordo com os índios para que as jazidas fossem exploradas, o que é ilegal. Mas a notícia da nova jazida se espalhou pelas ciadades da região e começou uma corrida pelas pedras. Mais de 200 garimpeiros entraram na área na época do massacre. A invasão de garimpeiros teria provocado o conflito com os índios.

Garimpeiros também disseram que o chefe da Funai na região, Valter Bloss, era conivente com os índios, mas ele negou e disse que os índios nunca autorizaram o garimpo dentro da reserva em 2004. Ele disse também que os índios atacaram porque se sentiram ameaçados, e que os próprios indígenas continuavam retirando os diamantes depois.
O caso é polêmico e a situação na região é acompanhada até hoje pela Polícia Federal. Pedras preciosas apreendidas nos últimos anos levantam as suspeitas de que a exploração clandestina de diamantes ainda ocorre na aldeia.
 


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