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Luiz Gonzaga Bertelli
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Segunda, 22 de agosto de 2011, 16h43

Desigualdade de acesso

Estudos mostram que pessoas com conhecimento de informática têm 25% a mais de chance de conquistar um emprego, segundo estudo sobre a relação entre os sistemas de ensino e a tecnologia realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A pesquisa vai além: quando se analisa a proporção do número de computadores por sala de aula, o Brasil ocupa a última posição de um ranking com 38 nações do mundo. A situação retratada é preocupante, portanto, pelo impacto na empregabilidade dos jovens, em especial os de baixa renda. Isso porque, segundo a OCDE, o acesso à tecnologia reflete as desigualdades socioeconômicas do Brasil. Na camada mais rica dos estudantes, o percentual de acesso a computador e internet está na casa dos 86%, taxa equivalente à dos países desenvolvidos. Já entre os jovens com menos recursos, apenas 15% tem a ferramenta. O resultado desse déficit não poderia ser mais nefasto, pois alimenta um ciclo vicioso de exclusão de jovens no mercado de trabalho e falta de capacitação profissional.

 

Para Sophie Vayssettes, pesquisadora da OCDE que coordenou o estudo, os governos deveriam compensar as disparidades sociais, equipando melhor as escolas com computadores. E aqui chegamos a um ponto de intersecção entre temas recentes de nossa conversa dominical. Vale recapitular: há duas semanas, mostramos que não são os estudantes que fazem a escola, mas o inverso; já no domingo passado, observamos que a tecnologia da informação cria valores, afiando ainda mais a noção de justiça, autenticidade e compartilhamento. É impossível, assim, fugir da pergunta: será falta vontade política para que se facilite aos jovens o acesso a um canal de livre circulação de informações?

 

E mais: convém não perder de vista que o fornecimento do equipamento é apenas metade do processo educativo. Os professores também precisam estar motivados e preparados para ensinar os alunos como se transforma o mouse, teclado e monitor em uma janela para o mundo. Ainda de acordo com a OCDE, o sistema ensino brasileiro soma uma década de atraso na comparação com os países desenvolvidos quando o assunto é acesso a computadores e internet.

 

Ainda será necessário muito investimento em infraestrutura e em pessoal, para vencer o imobilismo e a inércia. Mas será preciso muito mais para sobrepujar a resistência de quem quer que tudo permaneça como está, da má gestão de recursos aplicados no sistema de ensino e até de eleitores que pouco refletem ao decidir seus votos em eleições de todos as esferas de governo. Em 2012, serão realizados pleitos para escolha de prefeitos e vereadores. Resta a torcida para que surjam nomes alinhados a esses objetivos superiores: a juventude e o país agradecerão. 

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), e diretor da Fiesp
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