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Luiz Gonzaga Bertelli
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Quarta, 14 de dezembro de 2011, 12h46

Difícil ser adolescente

Ser adolescente no Brasil é correr maior risco de sofrer vulnerabilidades e desigualdades, como demonstra o triste cotidiano de milhões de jovens brasileiros. Essa é a constatação do relatório Situação da adolescência 2001, recém divulgado pela Unicef. Para perceber que eles sofrem um impacto maior da pobreza, da violência, da exploração sexual, da baixa escolaridade, do uso de drogas e da gravidez precoce, basta uma comparação com a situação social dos demais segmentos etários. É evidente que nem todos os 21 milhões de jovens são afetados da mesma forma pelas vulnerabilidades. O que faz a diferença é a desigualdade social de conteúdo histórico, que – como uma herança maldita transmitida de geração a geração – molda perfis, acentua carências e tolhe o direito de ser adolescente.

Apesar dos ganhos sociais registrados nos últimos anos, a miséria ainda continua presente nas casas de milhões de adolescentes de 12 a 17 anos, segundo a o estudo da Unicef. Dentre as faixas etárias, a adolescência foi a única em que cresceu o nível de pobreza. O acesso universal à educação – em 2009, 97,9% das crianças de 7 a 14 anos estavam matriculados no ensino fundamental ­– não assegurou a qualidade de ensino. Além do gargalo no acesso, a evasão no ensino médio continua alta, prejudicando a escolaridade, o que certamente será um grande obstáculo à inserção dos jovens carentes mercado de trabalho.

É para atenuar distorções como essas que CIEE promove, há 47 anos, a inclusão profissional e cidadã dos estudantes, em empresas, órgãos públicos e entidades de terceiro setor parceiros nessa estratégica missão. Tanto o estágio quanto a aprendizagem asseguram a todos os beneficiados uma renda mensal, que lhes permite manter seus estudos, contribuir para o orçamento doméstico e, em milhares de casos, chegar à universidade.
O CIEE procura, também, aprimorar a formação dos futuros profissionais com atividades gratuitas, como os cursos presenciais de informática, de idiomas, de orientação profissional e de educação à distância para somar conteúdo que possa corrigir parte das deficiências da formação escolar dos estudantes brasileiros, em especial dos mais carentes. A capacitação prática, aliada à maior bagagem de conhecimentos, possibilita também que os jovens conheçam uma profissão ainda no ensino médio e adquiram posturas valorizadas no mundo corporativo e que poderão até mesmo fazer toda a diferença na conquista de um primeiro emprego efetivo ou no sucesso de um pequeno negócio próprio.
 

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), e diretor da Fiesp
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