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Gabriel Novis Neves
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Domingo, 18 de agosto de 2013, 22h40

Lei

Como o brasileiro gosta de redigir uma lei para corrigir falhas de qualquer origem!

Temos uma “superconstituinte” com menos de trinta anos de idade, mas que, de tão rasgada e remendada não serve para nada, simplesmente porque nunca foi cumprida.

O próprio Congresso Nacional, responsável pela sua elaboração, não dá a mínima importância aos seus inúmeros artigos.

Quando em junho a nossa população saiu às ruas para protestar contra os desmandos que assolam esta nação, nossos fazedores de leis anotaram os dizeres das placas reivindicatórias conduzidas por jovens, mulheres, estudantes, trabalhadores e crianças, e estão respondendo com a criação de uma verdadeira enxurrada de leis.

O mesmo acontece nos estados e municípios brasileiros.

Essa incontrolável produção de leis deve ser analisada por cientistas políticos, sociólogos, antropólogos e, principalmente, psiquiatras.

O desespero dos nossos políticos, traduzido em leis inúteis, pois a sua execução jamais será acompanhada ou levada a sério, tem como explicação a proximidade das próximas eleições.

Como material para nossos humoristas, nada melhor. Verdadeiros espetáculos da arte de fazer rir são montados com essas leis do tempo perdido, preciosas pérolas de entretenimento.

Por ausência de políticas públicas, o uso de drogas ilícitas, facilmente adquiridas em nosso território, será combatido através de um bem elaborado Regimento de Combate ao Crack!

Essa verdadeira chaga social será facilmente eliminada pelo cumprimento do milagroso Regulamento!

Para resolver a interiorização dos médicos em um país com o maior número de faculdades de Medicina do mundo, uma cadeia de leis foi, e está sendo, aprovada.

Médicos militares poderão ter um emprego fora das suas atividades da caserna.

Meu Deus! A maioria desses profissionais concentra–se nos grandes centros urbanos, e sempre exerceram a sua profissão fora do horário do quartel em consultórios e hospitais.

A lei do “Programa Mais Médicos” foi um fracasso.

No nosso Estado simbólicos médicos se interessaram pelo programa. A sua distribuição ficará basicamente na Grande Cuiabá e comunidades indígenas.

Como temos 141 municípios é fácil avaliar o alcance social da lei!

Enfim, no país brincalhão, é livre fazer leis para não serem cumpridas.

O pior é pensar que pagamos uma fortuna em impostos para esses fabricantes de bobagens.

Lei é lei, mas a maioria delas não pega por puro descaso das nossas autoridades competentes. 

Gabriel Novis Neves é mèdico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT
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